Terra Brasilis, Terra de Gols, de Omar Peres

por João Toledo

O objeto do documentário é o 1º Campeonato Nacional de Futebol de Nações Indígenas, que seria realizado em Juiz de Fora em 2007. Interessado pela peculiaridade do evento, Omar Peres segue para o Xingu, onde acompanha desde o início a trajetória de uma das tribos que participariam do campeonato. O filme investiga tudo de uma forma muito rasa, partindo de um olhar humanista, pacifista, conciliador, mas sempre tendo um olhar e uma idéia prévia sobre a realidade indígena. Trata-se de um pedantismo um tanto simplista em sua intenção expressa de usar o campeonato para criar uma ponte entre culturas e proporcionar uma aproximação que resulte em diminuição das diferenças e preconceitos. O futebol seria símbolo disso.

Não há qualquer ambigüidade, tudo é filtrado por esse olhar positivo; a presença da televisão e de todos os hábitos importados para a cultura indígena não ganham sequer um plano indeciso. Tudo funciona a favor de uma idéia prévia – há um roteiro a ser cumprido. E, nessa trajetória, o que havia de interessante nas imagens da tribo no princípio (que já era em parte sacrificado por essa montagem de ritmo vertiginoso que o filme impõe à realidade) é logo perdido em face de estratégias jornalísticas as mais reducionistas, uma narração que achata a realidade ao discurso do narrador, à sua visão totalizadora, sua verdade. Em grande parte da projeção, a impressão é de estarmos diante de uma matéria do Globo Reporter, a nos trazer mais uma aberração cuja superfície é conciliatória, mas cujo caráter de estranheza apenas acentua diferenças.

Há todo tipo de estratégias simplificadoras e moralizantes, onde narração, frases que surgem na tela, entrevistas e trilhas de sonoridade indígena ajudam a criar essa aberração frenética de conteúdo moral auto-importante, onde o índio nunca é um sujeito, mas sempre um dado na imagem, um agente de um discurso, um veículo para uma pretensa aproximação que não se concretiza – pois todo o filme, em seu aparato grandiloqüente, só faz afastar-se do que haveria de íntimo em qualquer homem que filma.

 *Visto no 5º CineOP

Filmes Citados

Terra Brasilis, Terra de Gols (idem, 2008/Omar Peres)

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