Bonequinha de Seda, de Oduvaldo Viana

por Nísio Teixeira

O filme de Oduvaldo Vianna é bem representativo do cinema brasileiro dos anos 1930. Em primeiro lugar, pela presença marcante de números musicais, em segundo, pelo tom preponderante da comédia de situações e de erros e, enfim, pela defesa e busca de uma identidade brasileira ante a força dos estrangeirismos de ocasião.

Em Bonequinha de Seda, os números musicais, contudo, ao invés de serem diluídos entre vários artistas, são centrados na protagonista Gilda de Abreu, uma das vozes mais importantes do país daquele tempo.  Cantora e atriz, Gilda, tempos depois, será responsável pela direção de uma das maiores bilheterias do Brasil, O Ébrio, de 1948, tendo o marido, o famoso cantor Vicente Celestino, como protagonista.

Gilda interpreta Pechincha, uma jovem estudante de música que, humildemente, tenta convencer João Siqueira (Delorges Caminha), o proprietário do imóvel onde mora sua família, a não despejá-la em função dos aluguéis atrasados.  Afinal, o local de moradia é também local de trabalho do pai, que toca sua alfaiataria com a própria família. Mas, inflexível, João não se comove ante o pedido de Pechinha, do irmão e até mesmo do cachorro Tutu.

Desconsolada, Pechincha é ajudada por uma colega da escola, interpretada por Déa Selva.  Ela é sua avó, madame Valle (Conchita de Moraes) tratam de transformar Pechincha em Marilda, uma jovem educada em Paris. Assim transformada, vestida e apresentada à sociedade carioca, ela cai nas graças e nos interesses de João, que se apaixona pela jovem e resolve, a pedido dela, ajudar uma família pobre que iria ser despejada...

Aqui, uma comédia de erros ao estilo clássico, com diálogos divertidos provocados pela situação de duplo personagem vivido por Gilda de Abreu – o que remete,quase imediatamente, por exemplo, à famosa peça de Oscar Wilde, A importância de ser prudente (The importance of being Earnest – no título em inglês, um trocadilho com o nome Ernest, que também assume dupla identidade na trama).

 

Filmes citados

Bonequinha de Seda (idem, 1936/Oduvaldo Vianna)

 

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