
por Leonardo Amaral
O vócabulo independência, dentro do filme, pode ser compreendido sod duas perspectivas: uma reconstrução (metafórica) do próprio processo das Filipinas se tornarem independentes, mas, principalmente, do cinema do país que também reinvindica um determinado status quo. Raya Martin faz dois movimentos: um de construção, outro de reconstrução (reconstituição). A estética p&b, o uso da imagem em uma janela não-35mm, as filmagens no meio da vegetação florestal, tudo isso revela os objetivos do diretor.
Martin retoma um cinema documentário de caráter flahertiano, encena aquilo que acha necessário, faz uso de colagens de imagem e procura criar uma espécie de imagem de arquivo ao mesmo tempo em que insere, pouco a pouco, elementos de um novo cinema que procura imergir no país. Independencia é essa tentativa de partir do passado para falar do futuro. Antes da sessão, Raya Martin celebrou o momento da criação audiovisual de seu país e desejou uma vida longa ao mesmo. Talvez seja, pelo que pode ser visto nesse seu filme, o que ele procura, verdadeiramente, dizer.
*Visto no Festival de Cannes 2009.
Filmes Citados:
Independencia (Independence, 2009 – Raya Martin)