

por Leonardo Amaral
Um filme com título como esse e que me traz um grande esforço braçal toda vez que vou citá-lo já não começa muito bem. Após o momento de lúdica piada, vamos ao filme, que aqui será denominado apenas por Kasi. Bahman Ghobadi, um pouco antes da sessão, afirmou que pretendia uma imersão à paisagem underground de Teerã, propiciado pela descoberta de um cenário de bandas de indie rock, que fazem seus ensaios desde estábulos até os cantos mais obscuros da capital iraniana.
Eis a opção do diretor: partir do real para criar uma ficção que investe nesta mescla, que procura infiltrar-se e descobrir essas pessoas que, de alguma forma, desafiam uma sociedade ainda muito fechada. Procedimento recorrente no cinema do país, mas que aqui ganha contornos desastrosos. Não existe um investimento no que há de mais ambiguo quando se utiliza esse recurso: Ghobadi parte da atuação de atores amadores (até aqui, ponto para ele), mas investe em um tipo de dramatização que, infelizmente, a única coisa que vai conseguir é deixar que toda aquela realidade ali se torne algo inverossímel, sendo que, de acordo com as intenções do diretor antes da exibição, se pretendia exatamente o contrário.
Kasi... até busca mostrar uma certa mudança de valores sociais, a entrada dos produtos estrangeiros, a invasão de uma música de fora, as influências, mas a discussão torna-se rasa a partir da própria opção estética. O mundo pop é algo inevitável, e não deixa de ser interessante mostrar como essa presença vai criar uma certa mudança de comportamento dos jovens. Mas partir da opção por montagens exclusivamente de videoclips a cada apresentação de uma das bandas acaba por ser uma cópia de modelo, sem questioná-lo, ou, no mínimo, de buscar uma ambiguidade da relação.
A imersão pretendida por Ghobadi até acontece, mas a qual underground se refere não se sabe ao certo. Com certeza não é o do Irã.
Filmes Citados:
Kasi Az Gorbehaye Irani Khabar Nadareh (idem, 2009 – Bahman Ghobadi)