

por Leonardo Amaral
Malik, jovem de origem árabe, é condenado a seis anos de prisão. Lá conhece uma gangue da Córsia, e para eles começa a fazer alguns serviços. A cada missão realizada, o frágil homem vai ganhando respeito, crescendo dentro do antro para, posteriormente, ter seus próprios anseios. Em um de seus ‘trabalhos’, Malik assassina Reyeb, que, por sua vez, passa a atormentá-lo em devaneios. Um filme de gênero (ação): Audiard faz parte de uma geração francesa que tem investido nesse tipo de cinema, mas com algumas ambições psicológicas.
Após a sessão, uma memória meio remisciva me lembrou John Woo e de como seu cinema não tem grandes pretensões. Ele apenas acredita no que narra, e assim o faz. Un prophète é uma grande mistura, começa com planos quebra-cabeça que vão montando e formando a personalidade de Malik, para, pouco a pouco, inserir o cenário. Uma característica e um início interessantes de um cinema que não dá (em um primeiro momento) muitas respostas e deixa que as imagens construam a narrativa. Mas, aos poucos, isso vai dando lugar a uma nova estética e a uma narrativa que tenta, a cada plano, explicar um ato. O fantasma de Reyeb e as profecias de Malik são recorrências: a psicologia ganha a ação.
O filme talvez se sustentaria bem mais se acreditasse no que narra, nesse personagem misterioso no começo, nas consequências de cada ato, sem que este precise necessariamente de uma causa. É por isso que John Woo torna o cinema de ação sem causas, apenas na base de efeitos, algo bem mais interessante.
Filmes Citados:
Un prophète (idem, 2009 – Jacques Audiard)