Phedra*

por Ursula Rösele

Em Phedra, o olhar está todo voltado para a personagem central, que aparece em solo narrando suas vivências, do primeiro ao último plano do filme. Phedra Córdoba é uma atriz transexual que veio de Cuba para o Brasil no final dos anos 1950.  No contexto da sessão de ontem à noite, Phedra surgiu como uma espécie de complemento interessante que rompeu com a - já há muito rompida – barreira real/ficção. No primeiro curta exibido, Os Sapatos de Aristeu, Phedra encena praticamente ela mesma, no velório de um amigo também transexual. Na seqüência, entramos na casa da atriz e conseqüentemente em seu universo memorial através de seus relatos e encenações.

A escolha de locação foi bastante feliz, por ir num interessante crescendo, primeiramente em sua casa, em enquadramentos diminutos, nos quais Phedra inicialmente comenta imagens suas antigas numa pequena TV e depois vai para o quarto, onde somos absortos pelo seu imaginário, enredado por um ambiente simples e totalmente separado das experiências que conta, para irmos enfim ao palco, onde ela reinará absoluta, atuando/sendo a Phedra da maneira que é conhecida publicamente.

*Visto na 12ª Mostra de Cinema de Tiradentes.

Filme Citado:
Phedra (idem, 2008/Cláudia Priscila)

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