Dez Elefantes*

por João Toledo

Talvez a grande proeza desta produção carioca seja realizar uma obra de montagem complexa (o amigo polvo João Toledo citou Eisenstein), que brinca com a temporalidade e, ainda assim, não nos descentrar da singularidade do cenário. Dois irmãos experimentam a vida em um sítio. A menina, de forte presença em cena e que acaba tomando a dianteira, passa por situações da infância que o filme busca retratar por um prisma sensorial bem interessante. A fotografia tem um papel central nesta busca: rodado em 35mm, o filme tem um aspecto fotográfico e documental, com tons escuros e desbotados que remetem a uma memória revisitada. E de certa forma a proposta reside nisso,  em olhar a experiência somando a descoberta da vida – que muitas vezes se dá nos pequenos acontecimentos – com o modo de processamento destas informações na nossa cabeça (a montagem que vai e volta). No conjunto, Dez Elefantes proporciona um deslumbramento visual que não é gratuito, buscando refletir, na sua imagem, uma possível aproximação tátil com a natureza das coisas.

*Texto escrito para o CineBH 2008.

Filme Citado:
Dez Elefantes (idem, 2008/Eva Randolph)

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