
por Gabriel Martins
Eu e Crocodilos gira em torno de crises. Crise com o mundo, crise com o corpo, crise com a estética. Há um lago sujo, fotografado em amarelo quente, um espaço metafórico representativo deste perigo de imergir, de enfrentar o mundo e seus crocodilos. O constrangimento com o corpo, reforçado pela pressão externa causada pelo irmão e amigas, consegue falar sobre um mundo que cobra certos padrões e oprime a auto-estima – o irmão da personagem é cruel. Conecta-se bem com uma leva de curtas-metragens nacionais, alguns inclusive dentro da mesma sessão, que buscam flertar com o universo adolescente de forma nem sempre original, sugerindo certas fórmulas que podem sofrer – se já não sofrem -, certo desgaste. Eu e Crocodilos, em parte, segue certo convencionalismo simbólico que, ainda que bem executado, não fornece exatamente uma perspectiva diferenciada. De toda forma, é um bom exemplar de uma corrente clássico-narrativa que tem se colocado de forma interessante no cenário, estabelecendo uma busca imagética coerente com a gênese de seu projeto.
*Visto na 12ª Mostra de Cinema de Tiradentes.
Filme Citado:
Eu e Crocodilos (idem, 2008/Marcela Arantes)