Hotxuá

por Nísio Teixeira

 

O documentário dirigido por Letícia Sabatella e Gringo Cardia trata da vida e da visão de mundo dos índios da tribo dos Krahô, em Tocatins. Hotxuá é nome dado, pela tribo, a uma espécie de “palhaço sagrado” da aldeia. E é através dele e de outros integrantes dos Krahô é que os diretores criam a condução do filme, sempre com off na língua dos próprios índios ou, em menor grau, em português.

 

Algumas seqüências memoráveis: a corrida diária de toras, em que dois grupos da tribo se dividem para celebrar o Kayamarê e Wayamarê, os dois mundos que se complementam na visão dos Krahô. Cada um dos grupos reveza entre si as pesadas toras até chegarem ao centro da tribo e, como se complementam, uma não pode vencer sempre a outra.  Outra bela seqüência ocorre quando uma jovem, em ritual de passagem, tem todo o seu corpo coberto por penas coloridas de periquito - verdes e azul, predominantemente – além de pasta vermelhas.

 

Entremeando as cenas, mostram-se as estripulias do “palhaço sagrado” – talvez a mais divertida delas abrindo o filme. Em outro momento, provocando os meninos no rio; desconcentrando a índia que preparava a jovem e, em outra inusitada seqüência, contracenando com um palhaço “de verdade” que chega e sai da tribo – e do filme – sem mais esclarecimentos, para o divertimento das crianças.

 

Na tradição de documentários recentes sobre índios, as principais estratégias estão ali: escolha de rituais de passagens: dar, literalmente, a voz aos krahô e, incluir, nesse discurso, não só a visão de mundo da tribo, mas também da sua relação com o homem branco. Um detalhe, talvez, é que o filme opta por todas essas informações e, à medida que se aproxima do fim, parece não conseguir gerenciar esses elementos, terminando de forma um pouco abrupta.

 

Filmes Citados:

Hotxuá (idem, 2007/Letícia Sabatella e Gringo Cardia)

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