3 Efes, de Carlos Gerbase

por Gabriel Martins

 

3 Efes chamou a atenção há um tempo atrás pela proposta da equipe de lançar o filme simultaneamente em internet, TV e DVD. Rodado em 20 dias em suporte digital de forma independente, o longa de Carlos Gerbase não esconde sua natureza barata e, com isso, busca realizar uma obra que brinque com os anseios de seus personagens.

 

Contando com um humor irregular, Gerbase coloca como mote a teoria de um certo Professor Valadares sobre a necessidade humana de satisfazer seus 3 apetites (efes): Fome, Foda e Fasma (a capacidade de abstração, de representação do mundo). De acordo com a teoria deste mesmo professor, estes 3 apetites estão intimamente ligados e se conectam, sendo que a busca por um automaticamente leva a outro. O jogo de Gerbase, portanto, é com o constrangimento das situações com que os personagens se colocam e a forma como as decisões tomadas tendo como base estas três “necessidades” humanas, resultam na mais pura ironia da vida.

 

Gerbase dá continuidade ao “projeto” já visto em Sal de Prata, quando ele colocava a metalinguagem como uma forma de obter distanciamento, posicionando-se como superior à narrativa ao evidenciar a manipulação desta – uma abertura de várias concessões ao filme por compartilhar com o espectador a própria idéia de realização de uma obra. Em 3 Efes somos parcialmente distanciados do filme desde o início, quando a apresentação em off entrega o jogo proposto para o resto da obra e nos apresenta a figura do narrador manipulador (em certo momento um plano é congelado para ser comentado) que acaba representando o posicionamento do diretor em relação a sua obra.

 

3 Efes é, como Sal de Prata, uma brincadeira de cinema, um simples jogo de narrar. E nessa brincadeira, o filme de Gerbase torna-se uma comédia que explora uma dose leve de absurdo com humor situacional, levando de forma irregular sua proposta que, se diverte em alguns momentos, em sua maioria não consegue ultrapassar a barreira de uma pretensão disfarçada nas mesmas concessões já citadas anteriormente. Cabe ao espectador ser paciente ou não.

 

Filmes citados:

3 Efes (idem, 2007/ Carlos Gerbase)

Sal de Prata (idem, 2005/ Carlos Gerbase)

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