
por Gabriel Martins
Muitas vezes o que torna um documentário prazeroso é o simples fato do mesmo reunir depoimentos interessantes, situações atípicas e uma boa articulação do assunto abordado. Uma Banda de Um Homem Só chega quase à total concretização destes quesitos, o que o transformaria em um documentário interessantíssimo. Infelizmente, fica devendo em alguns poucos elementos que poderiam ter sido mais bem trabalhados, principalmente no que diz respeito à articulação de sua montagem.
O documentário conta a história de músicos que tem o diferencial de se apresentarem sozinhos, tocando mais de um instrumento. Chamados de “One Man Band” (não são necessariamente só homens), cada um compõe um estilo musical de forma bem autoral (no sentido mais obviamente exato da palavra) – incorporando essa escolha pela individualidade à composição musical. O atrativo do filme é este, a forma como cada músico encara a sua opção pelo solo e principalmente a criatividade usada por cada um para conseguir executar vários instrumentos ao mesmo tempo.
Junto com a apresentação dos personagens enquadrados no filme, a própria composição visual procura seguir a proposta de cada músico, ilustrando o show com uma performance própria, seja pelo estilo dos enquadramentos como a brincadeira com filtros, efeitos de pós produção e montagem. Salvo alguns exageros, esta brincadeira acaba soando divertida, atribuindo um caráter de videoclipe à apresentação de cada artista, reforçando as suas personalidades. Talvez o maior problema do filme seja a maneira como decide distribuir o tempo para cada personagem, dividindo desigualmente a atenção a partir de sua segunda metade. Com isso, artistas como o Man From Uranus acabam sendo bem mais explorados que André Duracell, por exemplo. Portanto, quem se identifica mais com este último, como foi meu caso, acaba ficando com uma vontade de ouvir um pouco mais, conhecer um pouco mais, lacuna que o documentário não preenche. No entanto, esta pequena perda de ritmo acaba sendo um dos poucos problemas do documentário, que escolheu um assunto bem interessante – principalmente para quem tem uma relação especial com a música, como é o meu caso – e soube fazer um bom trabalho de pesquisa, o que em alguns momentos é o suficiente para que uma obra seja suficientemente interessante.
Filmes citados:
Uma Banda De Um Homem Só (One Man In The Band, 2008/ Adam Clitheroe)