
por Leonardo Sette
Sessão terminada agora há pouco, o filme de Philippe Garrel provocou alguns risos de deboche durante a projeção e foi vaiado no final, na sessão de 8h30 no Grand Theatre Lumière. Curioso ver reação de críticos estrangeiros diante do que de alguma forma deve ser visto como protótipo do "filme francês" por esses mesmos jornalistas. Num preto e branco lindíssimo como em Amantes Constantes fotografado por William Lubtchansky, o personagem de Louis Garrel, fotógrafo, atravessa o filme vivendo e discutindo uma relação amorosa com uma jovem estrela de cinema. Bem menor que Amantes Constantes (e com metade da duração), La frontière de l'aube está também longe da força e da estranheza de outros filmes de Garrel como A Cicatriz Interior ou Le Révélateur, mas tem sua beleza além da fotografia e dos corpos em questão. Conexão sutil e pouco importante, porém interessante, com Les chansons d'amour, de Cristophe Honoré. Forte candidato a bater o belíssimo filipino Serbis como pior média do famigerado ranking da Screen. Por sinal, o filme de Lucrecia Martel apareceu hoje com a também muito baixa média de 1.9. Lembrando que este ranking parece servir só para divertir os jornalistas em Cannes, que não deixam de consultá-lo, raramente coincidindo com a prêmiação do festival ou com algum pensamento minimamente identificável ou coerente sobre o cinema contemporâneo.
P.S: Estou começando a cansar, enxergando os limites desse tipo de observação, de dizer que um filme visto aqui não é tão grande como o(s) anterior(es) de seu autor.
Filmes Citados:
Amantes Constantes (Les Amants Réguliers, 2005/Phillippe Garrel)
Canções de Amor (Les Chansons D´Amour, 2007/Cristophe Honoré)
A Cicatriz Interior (La Cicatrice Intérieure, 1972/Phillippe Garrel)
Le Révélateur (idem, 1968/Phillippe Garrel)
A Fronteira da Alvorada (La Frontière de L’Aube, 2008/Philippe Garrel)
*Texto escrito no Festival de Cannes 2008