
por Rafael Ciccarini Sabemos que filme novo do Bressane é sempre um evento. Especialmente após o inacreditável desbunde chamado Cleópatra, seu filme anterior, a sensação de se poder esperar essencialmente qualquer coisa é igualmente intrigante e prazerosa. E A Erva do Rato, para não fugir à regra, surpreende. Bressane fez uma comédia com momentos francamente hilariantes – e não se fala aqui do riso intelectualizado, do fã que reconhece os traquejos e desbundes de “seu” artista, mas de cenas que causaram gargalhadas do público de uma maneira geral. A sensação é de um Bressane leve, brincando com seu próprio imaginário e ao mesmo tempo se arriscando em territórios que atualmente lhe instiguem. Que não se passe, no entanto, a idéia de que não seja um filme difícil, rigoroso, desafiador (é, e muito), mas é justamente por conseguir fazer um filme com níveis de entradas diferentes (e sempre interessantes) que A Erva do Rato parece tão acertado.
Filme Citado:
A Erva do Rato (idem, 2008/Julio Bressane)
Cleópatra (idem, 2007/Julio Bressane)
*Texto escrito no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro - 2008