
por Ursula Rösele
Em 1977, um americano chamado Gary Wilson lançou um disco chamado You think you really know me mesclando rock, jazz e diversos ritmos produzidos com toda sorte de materiais. Pouco tempo depois, o mesmo desapareceu, caindo totalmente no ostracismo. Este documentário procura retratar a tentativa de dois jovens de uma gravadora americana que tiveram acesso ao material do cantor e se sentiram de certa forma “obrigados” a possibilitar algum tipo de retomada de uma figura que – além de excêntrica – os instigou com um estilo musical precoce e inovador para a época a qual pertenceu.
É um filme curioso que se sustenta mais pela pessoa retratada que por seguir alguma articulação estimulante. Havia ali certamente muito material para tal, tendo em vista que além das diversas fotografias disponíveis, alguns filmes em 16 mm filmados por um membro da banda ainda estavam conservados e continham inúmeras imagens de todos os integrantes, que até foram usadas, mas mais como registro puro e simples que como possibilidade de alguma invenção ou ousadia estética.
O resultado não passa das boas intenções, o que não é necessariamente ruim, pois a sensação que se tem é de que a forma “pueril” de montagem denota um desejo verdadeiro não somente do registro, mas da valorização de um artista perdido no tempo. As imagens, em sua maioria, se compõem de zoom in e out nas fotografias e entrevistas, que mostram um clima descontraído com ex-integrantes da banda, familiares, amigos, além de cenas em que a dupla que comanda a gravadora descreve, ao longo do filme, o processo de busca pelo paradeiro de Gary Wilson.
Construindo um processo gradativo até o encontro com o músico, o filme fica como uma simpática tentativa de reportar uma curta, porém relevante trajetória que, com a ajuda do cinema poderá um dia ser revista e re-avaliada.
Filme Citado:
Você acha que me conhece realmente: A História de Gary Wilson (You think you really knoe me: The Gary Wilson story, 2005/Michael Work)