Sombra de Areia, de Yusuke Kaida

por Ursula Rösele

 

Membro integrante da programação denominada Nippon Connection on Tour Festival (há oito anos em Frankfurt, Alemanha), Sombra de Areia faz parte da realização cinematográfica contemporânea no Japão. O filme de Yusuke Kaida foi todo rodado em 8mm e, através de seu excesso de granulação, compõe-se de uma experimentação com a linguagem que a plataforma 8mm possibilita, aludindo não somente à memória, mas ao delírio, inconformismo com a perda e dificuldade de relação com o mundo dito “real”.

 

O filme trafega num silêncio quase absoluto no qual uma jovem vive momentos de carinho com um suposto namorado e mergulha na rotina de um colega de trabalho (estranhamente) instalado no depósito da empresa, lugar em que tem acesso a materiais e conversas alheias (através de aberturas na parede). Não há ali a intenção de explicar ou facilitar a absorção do filme. Sombra de Areia parece caminhar sem rumo definido, por um universo inconsciente de sua personagem que, em seus silêncios, demonstra muita angústia não revelada.

 

De certa forma o interesse maior está para além das palavras, o que poderia ser positivo tendo em vista o fato do filme balizar-se justamente na ausência, porém, sua fraqueza reside naquilo em que se sustenta. Falta tanto ali (amor, presença, olhares) aos personagens, que o filme torna-se um conjunto de imagens curiosas sem muita função. Fica o ausente pelo ausente, o silêncio pelo silêncio, numa narrativa que se perde em tentativas que beiram o não-registro.

 

Filme Citado:

Sombra de Areia (Suna no kage, 2007/Yusuke Kaida)

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