Emprego Temporário, Agonia Permanente, de Hiroki Iwabuchi

por Mariana Souto

 

O documentário de Hiroki Iwabuchi registra sua monótona vida como empregado temporário de uma fábrica no Japão. Seu trabalho é repetitivo e consiste em colocar tampas em cartuchos de impressora. Desloca-se de bicicleta para o trabalho, vive sozinho, faz suas refeições. No entanto, a forma com que o diretor/personagem registra sua rotina, através dos movimentos instáveis de câmera e decupagem com planos inusitados, parece querer conferir-lhe movimento e agito - algo que seria até contraditório com o intuito de transmitir para o espectador uma vida vazia, entediante. Talvez esteja aí, implícito na forma, o desejo pelas fortes emoções, os estímulos que lhe faltam. A vontade de morar em Tóquio, cidade onde tudo acontece.

 

Contudo, os movimentos de Iwabuchi causam tontura e cansaço – o que não me parece ter sido sua intenção – e também por isso acabam distanciando o espectador. O registro é feito no formato de um diário; para filmar fragmentos do seu dia, o diretor carrega a câmera o tempo inteiro: debaixo do braço, pendurada no pescoço, na bolsa, em cima da mesa. A câmera é para o diretor uma espécie de bichinho de estimação, praticamente um tamagochi, o que faz do espectador um refém, alguém submetido a viver como o jovem Hiroki, sem escolha. A estética por vezes lembra a da câmera escondida de programas de denúncia na TV.

 

E, de toda forma, é essa a maior função do filme: a de denúncia de um problema social. Se os manifestantes fazem passeatas, Iwabuchi faz um filme. E como relato de um indivíduo em condições precárias, um “chimpanzé adestrado”, como diz seu avô, que apenas trabalha, se desloca e se alimenta sem prazer em nenhuma dessas atividades, Emprego Temporário, Agonia Permanente pode ser eficaz. Já como obra cinematográfica, é de pouco interesse.

 

Filmes citados

Emprego Temporário, Agonia Permanente (A Permanent part-timer in distress, 2008/ Hiroki Iwabuchi)

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