7 anos, de Jean-Pascal Hattu

 

por Leonardo Amaral

 

Os grandes méritos de 7 anos estão em suas menores apostas, ou seja, no enquadramento que sufoca os personagens e que traz momentos de asfixia que fazem com que filme cresça: no primário, na elaboração do plano que o filme diz bastante daquelas pessoas presas de maneiras diferentes. O primeiro filme em longa-metragem pode carregar uma certa ansiedade em se querer dizer tudo, quando na verdade são os detalhes os verdadeiros responsáveis pela construção do todo – não que isso tenha ocorrido com Jean-Pascal Hattu, ele demonstra um domínio daquilo que quer colocar em cena, mas a impressão é a de que ainda falta algo.

 

Mais uma vez vale a pena retornar aos aprisionamentos do filme, de como a prisão literal de Vincent vai acarretar armadilhas para Maité e Jean. Ela, após trair o marido preso com o carcereiro, passa a viver uma espécie de prisão domiciliar, não por menos, Hattu filma seus personagens, principalmente Maité, entre paredes, contando com a profundidade de campo para deixar o corpo ao fundo, aprisionado entre cômodos, entre portas. E como o casal de amantes ficará escravo da própria lasciva sexual, dos sons, metáfora e metonímia representada pelo gravador. A rotina, os sete anos de espera pela liberdade, são todos carrascos de personagens sem fuga. Em uma cena, Maité vai até o quarto de Jean, se despe, e deitada na cama do amante, pede pelo sexo, em momento que suscita sedução do corpo e repetição mecânica do ato: Jean, filmado apenas do tronco para baixo (enquanto Maité é vista em primeiro plano, ainda sob a cama), resiste, mas em novo corte e os corpos se reencontram, atraídos pelo aprisionamento da situação.

 

No entanto, o que se quer dizer é bem mais denso do que é dito: o que pode estar supostamente conectado ao ritmo imprimido ao filme. Sim, as situações, o corte seco, os planos mais curtos, são todos elementos que suscitam esta rotina marcadamente asfixiante. Todavia, esses personagens são colocados tão à deriva, em uma sucessão de planos e situações que impossibilitam um maior adensamento cênico, que não é possível uma maior identificação por parte do espectador, que vê, impassível e insensível, a fantasmas presos em cena e perdidos em meio ao ritmo. O filme, até por conta de sua pretensão em falar de maneira profunda a respeito dos sentimentos humanos, se precipita um pouco em alguns momentos, não deixa com que as coisas aconteçam e se desenvolvam na tela. 7 anos seria melhor se desse espaço para o espectador adentrar melhor o universo daqueles personagens.

 

 

Filmes citados:

7 anos (7 ans, 2006/Jean-Pascal Hattu)

Leia novidades instantâneas em nossoblog.