Breve conversa com o diretor malaio Amir Muhammad, da mostra 6eis Curtas Malaios

 

Por Marcelo Miranda

 

A oportunidade de assistir aos vídeos de um cineasta como o malaio Amir Muhammad só é mesmo possível num evento como o Festival de Curtas de Belo Horizonte, que se arrisca a trazer alguns dos trabalhos de um nome absolutamente desconhecido da grande massa cinéfila brasileira. Escritor, jornalista e diretor em Kuala Lumpur, Muhammad notabilizou-se por seus vídeos provocadores, irônicos e desafiadores à “ordem vigente” na Malásia. Esteve em festivais de Berlim, Roterdã, Buenos Aires, Sundance e Pesaro, tendo sido também censurado pelo governo de seu país. O colega polvo João Toledo fez um texto especialmente analisando seis de seus filmes exibidos por aqui.

 

Em rápida conversa por e-mail com o Filmes Polvo (intermediada por Julia Nogueira, curadora da mostra “6eis Curtas Malaios”), Amir Muhammad fala um pouco de sua trajetória, do cinema feito na Malásia e de Tsai Ming-liang, nome local mais conhecido pelas plagas brasileiras. Confira.

 

Quando começou a trabalhar em vídeo e cinema?

Eu cursei Direito, mas não exerci a profissão. Escrevi em alguns jornais e depois fui editor de texto na televisão. Em 2000 fiz meu primeiro vídeo digital. Desde então tem sido uma atividade bastante constante.

Mas como iniciou sua carreira?

Em 1995 fiz um curso de cinema em 16mm na Universidade de Nova York. Isso me inspirou a produzir alguma coisa quando voltasse para casa. Filmar em película era caro demais, então usei o vídeo. Na verdade eu fiz o primeiro vídeo digital da Malásia. Era basicamente um grupo de amigos trabalhando juntos, e nós alugamos uma sala de exibição para mostrar os vídeos, porque os cinemas não os exibiam.


Como você descreve seus vídeos?

Rápidos, baratos e fora de controle.

 
Você já tinha sido exibido antes na América Latina?

Eu passei vídeos por várias vezes no BAFICI (Buenos Aires) e estive no júri internacional desse festival em 2008. Também já exibi algumas vezes no SANFIC (Santiago) e vou passar no FICO (México) no ano que vem.


O que achou dos seus vídeos estarem sendo apresentados no Festival de Curtas de Belo Horizonte, no Brasil?

Ótimo! Muito obrigado! Roberto Carlos é um dos meus cantores favoritos!


Como é a atual conjuntura da produção de cinema na Malásia? O país tem conseguido adentrar no “boom” do cinema asiático que vem tomando o planeta?

A Malásia tem sempre sido receptiva ao cinema da Ásia, como Bollywood, Hong Kong e Japão. O país, hoje, produz 30 filmes ao ano. Os gêneros mais populares são o romance e o horror.


O cineasta malaio mais conhecido no Brasil é Tsai Ming-liang (O Sabor da Melancia). Você conhece o trabalho dele? Como ele é visto no seu país?

Sim, eu vi todos os seus filmes. A maior parte deles não foi lançada na Malásia porque sao considerados muito maçantes. Mas uma geração jovem de cinéfilos descobriu os filmes dele em DVD e têm corrido atrás para vê-los. Seu trabalho mais recente foi exibido em apenas num cinema, mas esgotou os ingressos por três semanas.

 

Saiba mais sobre Amir Muhammad

 

Blog do diretor:  http://amirmu.blogspot.com/

Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/name/nm0611243/

Perfil na Wikipedia:  http://en.wikipedia.org/wiki/Amir_Muhammad_%28director%29

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