Eastwood, Martel e o Che de Soderbergh

por Leonardo Sette, de Cannes

The Echange, de Clint Eastwood (EUA, competição)

Devo dizer que um comentário meu sobre o novo filme de Clint Eastwood não pode ter muito valor, uma vez que estou longe de achar seus filmes tão belos quanto as pessoas ao meu redor. Eastwood sempre me pareceu um cineasta superestimado e seu novo filme não muda em nada essa impressão. Em respeito aos que o admiram, prefiro não comentar.

La mujer sin cabeza, de Lucrecia Martel (Argentina, competição)

Novo filme de Lucrecia Martel é mais concentrado numa só personagem, mais rígido e menos impressionante que seus dois belíssimos La Ciénaga e La Niña Santa. A personagem interpretada por María Onetto lembra uma Gena Rowlands cassavetiana com a histeria / descontrole totalmente interiorizados. Belo filme, mas saindo agora da sessão ainda é difícil esquecer a expectativa de ver um filme maior (o que parece ser típica síndrome de Cannes, a evitar). La mujer sin cabeza se aproxima mais de diversos austeros "filme de arte", sem o frescor e a originalidade dos dois primeiros filmes dessa sem dúvida talentosa diretora argentina.

Che, de Steven Soderbergh (EUA, competição)

Acabo de sair da sessão de 4h30 do Che, de Steven Soderbergh. As duas partes foram exibidas juntas, separadas por intervalo de 20 minutos. Produção cara e construção extremamente "competente" e sóbria, falada em espanhol, com Benício del Toro como Guevara (Rodrigo Santoro como Raul Castro). Não vai além da reconstrução quase puramente didática, o amigo Eduardo Valente comentou a sensação de estar vendo série chique de TV a cabo. Mas há uma precisão e refinamento no tratamento que merecem menção e tornam a coisa muito interessante de ver, mesmo que não empolgue como cinema. A primeira parte reconstrói os passos do Che desde a ida para Cuba com Fidel Castro no iate Granma até a fuga de Fulgêncio Batista e o triunfo da Revolucão Cubana. A segunda parte pula a experiência de Guevara na Africa, e tem início com sua partida para a Bolívia, retrata todo o período de pouco mais de um ano de guerrilha boliviana até a captura e morte de Guevara.

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