Curtas – Competitiva 6: “Acabou-se” e “Cavalo”

Acabou-se, de Patrícia Baía

por Thiago Macêdo

A imaginação de uma criança é tão rica quanto inconstante. A construção dessa idéia de efemeridade, da passagem que constitui o desejo e tudo mais que está escondido dentro de uma garotinha deslumbrada com o mundo, é o que compõe o filme de Patrícia Baía, que fala da finitude desde o título. A beleza das cenas, a poesia dos elementos que vão sendo desvendados, indo de um simples e belíssimo plano geral nas dunas de uma praia, ao movimento incessante de uma cortina em uma cabana, acabam esterilizando o conteúdo sentimental da obra. Não deixa de ser uma armadilha capciosa um filme que quer transformar em imagem a beleza de um sentimento abstrato, ser traído justamente por sua grande qualidade estética.

*Visto no Paulínia Festival de Cinema 2011

 

Cavalo, de Joana Mariani

por Thiago Macêdo

Nem sempre boas idéias rendem bons frutos. Cavalo, de Joana Mariani, é prova disso. O cavalo em questão é um morador de rua que tem problemas mentais, condição que o coloca vulnerável em relação a outro homem, um catador de papel que se aproveita dele e o faz puxar seu carrinho, para que o trabalho nas ruas seja mais eficaz. O filme pretende retratar a bestialidade humana, mostrando um homem capaz de escravizar outro em benefício próprio, em nome do lucro. Nada muito novo, mas cujo discurso poderia ser explorado com mais potência caso não fosse deixado de lado pelo filme o realismo. Ou melhor, caso não fosse tão desesperadamente forjado um realismo, onde na verdade existe artificialismo, desde a direção de arte tão empenhada em parecer “pobre” (e gritando em cada objeto cênico ser arte), à fotografia de pretensões poéticas. A famigerada “estética da fome” querendo ser neo-realismo e não conseguindo ser quase nada, a não ser uma boa idéia inicial.

*Visto no Paulínia Festival de Cinema 2011

Filmes Citados:

Acabou-se (2011/Patrícia Baía)

Cavalo (2011/Joana Mariani)

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