O Vigia do Subsolo, por Leonardo Amaral

 

por Leonardo Amaral

 

O Vigia do Subsolo é o bom filme de gênero em sua essência. No primeiro plano do filme, uma jovem se encontra em um carro e, pouco antes de entrar para o novo emprego em um escritório de um comprador e vendedor de obras de arte, escuta do taxista uma história soturna de um assassino ex-lutador de sumo. A trilha já constrói o clima que permeará t0d0 o restante do segundo longa de Kiyoshi Kurosawa.

 

No ambiente de trabalho, aos poucos, o diretor apresenta cada um dos personagens. O filme jamais sairá daquele lugar, todos aqueles corpos estarão confinados ali até o desfecho, com os policiais na rua. No subsolo do prédio, dois vigias encontram um corpo brutalmente assassinado próximo do lugar onde as chaves das salas do edifício são guardadas. Um dos vigias, forte e com quase dois metros de altura, é o assassino, que, um a um, vai matando as pessoas que ali trabalham. A razão dos crimes é uma paixão que ele alimenta pela jovem moça que começara a trabalhar ali.

 

Com todos esses elementos, Kurosawa estabelece o suspense do filme. Sabemos quem é o assassino e também reconhecemos que, a cada momento, ele pode agir novamente. Com uma estética que em vários momentos lembra a alguns dos filmes de John Carpenter e Brian de Palma na década de 1970, há sempre um investimento nos momentos de tensão, seja pela trilha, seja pelo caminhar lento e pela fotografia em penumbra que se apresenta o personagem em silhueta. Por conta de sua altura, e pela forma como mata (quase sempre ataca com um pedaço de ferro com o qual bate na cabeça da vítima), a figura do assassino torna-se deveras inquietante. O filme sabe se aproveitar de todas essas características, e o seu grande mérito é o de saber trabalhar cada um dos elementos na cena e por se traduzir exatamente por todas essas particularidades do gênero, seja em seus exageros, seja na forma de condução da mise-en-scène.

 

Filmes citados:

O Vigia do Subsolo (Jigoku No Keibin, 1992 – Kiyoshi Kurosawa)

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