
Uma conversa com Gulherme de Almeida Prado
Em entrevista exclusiva, o cineasta fala com Filmes Polvo sobre cinefilia, processo de criação, cinema brasileiro e a concepção de seu último filme
Filmes de gênero no Brasil
Quando faço meus filmes, todo mundo fala que eles são diferentes, mas eu sempre acho que estou fazendo um filme igual. Não sei por que fica diferente. Eu gosto de filme policial, gosto de filme noir, gosto de faroeste - meu gênero predileto -, mas nunca fiz nenhum faroeste e provavelmente nunca vou fazer. Adoro musical, acho que o Dulce Veiga tem um pouco de musical, mas é um gênero caro, complicado. Por incrível que pareça o policial é o mais barato porque você faz na cidade. O noir é mais barato ainda porque você pode fazer à noite e escuro. A Dama do Cine Shanghai foi feito muito em cima da idéia de “vou fazer um filme barato”. Como é fazer um filme barato assumindo que ele é barato? Hoje em dia eu já não leio muito, mas já li muita literatura policial, Dashiell Hammett, Raymond Chandler. E acho que isso tem uma influência. Não sei por que isso é raro, não acho que eu seja o único que faça isso no Brasil, tem outros diretores. Talvez não do jeito que eu faça, mas existe alguma coisa parecida, na linha policial. Murilo Salles e José Jofilly já fizeram filme na linha policial, outros diretores também. Entrei aí por achar que era um gênero que eu tinha recurso para fazer.
A cinefilia em Onde Andará Dulce Veiga? e nos seus filmes
Eu costumo dizer que gosto mais de ver filmes do que fazer filmes. Não quer dizer que não goste de fazer, mas é tão cheio de problemas... Começa desde arrumar dinheiro, captar, que é uma coisa infernal, e depois a própria filmagem. Gosto de fazer cinema, mas é uma coisa que tem um lado chato, um lado ruim, enquanto assistir a um filme é só o prazer. E acho que não só eu, mas todos os cineastas que fazem cinema de uma forma mais séria, no fundo fazem os filmes que eles gostariam de ver. Eu faço o filme que eu acho que gostaria de ver e não vejo porque não é feito, ou porque não é mais feito, enfim, isso eu faço, isso eu sinto. Então procuro passar um pouco esse prazer de ver o filme quando estou fazendo o filme. Todo mundo fala que faço muita referência. Acho que referência sempre parece uma coisa que tem aspas, me parece sempre uma coisa pretensiosa. Costumo dizer que faço reciclagem, hoje em dia acho que está na moda reciclar. Acho que os meus filmes reciclam alguma coisa. Não é que eu quero citar A Dama de Shangai e etc, não é citação. É pegar uma coisa antiga, reciclar e fazer uma coisa nova de uma coisa antiga. Por que você não pode reciclar a arte também? No Dulce Veiga acho que até abusei. Muito tempo sem fazer filme, tinha muita coisa para reciclar. Aí acaba ficando um pouco reciclado demais (risos).
Dez anos sem filmar e o processo de Onde Andará Dulce Veiga?
Sou muito ligado a idéias do cinema experimental. Não o cinema experimental que hoje existe e que não tem nada de experimental, pois para mim a única coisa que experimentam é a paciência do espectador. O que me leva a fazer cinema é poder experimentar coisas diferentes, algo que eu nunca fiz. Buscar alguma coisa nova, interessante e que eu não conheça. No caso do Dulce Veiga, posso dizer que foi um filme que resolveu ser feito por conta própria, e não por mim. Dulce Veiga foi um projeto que desenvolvi no final dos anos 80 pra ser um filme contemporâneo. Tinha feito A Dama do Cine Shangai, e queria depois dele um filme que se passava nos anos 80 com todo um referencial ao visual dos anos 40. O roteiro foi feito, o Caio Fernando Abreu (autor da história original) morreu e achei que o projeto estava completamente datado, ultrapassado e esquecido. Eu tinha um outro roteiro complicado que precisava de um certo aval e resolvi inscrever em um laboratório do Sundance. Quando peguei o edital, percebi que podia inscrever dois roteiros. Concluí que se inscrevesse dois roteiros tinha muito mais chance de ganhar. Então tirei o Dulce Veiga da gaveta e inscrevi junto, mais pra fazer número do que pra necessariamente ser o projeto principal. E aconteceu que o Sundance selecionou o Dulce Veiga. Aí ganhei um workshop e discuti com vários roteiristas e cineastas o projeto. E foi engraçado, porque eu sempre começava o papo dizendo que era um projeto dos anos 80, que tinha feito com o Caio, que achava a idéia um pouco datada. E todos eles me chamaram a atenção do que não era datado, que havia coisas que eu devia eliminar, mas que era interessante e devia desenvolver. Voltei daquele workshop com o filme renascendo na minha cabeça.
O workshop foi em meados de 2002, e foi mais ou menos na mesma época que surgiu aquela Lara Croft, nos videogames. Achava que o videogame tinha uma proposta de linguagem interessante. E foi quando eu saquei que o Dulce Veiga tinha um pouco disso. Foi aí que falei “preciso fazer esse filme”. Estava até com vontade de desenvolver o game “Onde Andará Dulce Veiga?” (risos). E no fundo foi o que me levou a fazer o filme, essa coisa da estrutura de videogame. Foi a época também em que começou a aumentar a questão da internet, que eu também acho uma coisa bacana. A internet tem algo interessante que com certeza está mudando muito a cabeça das pessoas, principalmente as gerações mais jovens, no sentido de que as pessoas estão aprendendo a fazer relações de coisas muito díspares. Na internet você clica e de repente está em outro assunto, que tem a ver com aquele primeiro assunto, de repente você sai do Brasil e chega na Indochina. Eu curto muito cinematograficamente essa coisa de linguagem, do espectador poder montar a história. Não precisa contar a história toda muito “mastigadinha”. Os novos espectadores estão aprendendo a montar histórias muito melhor por causa da internet, o raciocínio da gente vai ficando mais sofisticado. Mas é essa coisa do videogame que, vamos dizer, multiplica as opções que uma história pode ir. O Alain Resnais trabalhou um pouco disso naquele Smoking/No Smoking. Aquilo já tinha uma estrutura do videogame antes do videogame, sabe? Ele estava prevendo o videogame. Eu quis fazer um filme dos anos 80 que tivesse um pouco de linguagem de videogame e um pouco de linguagem de internet. Isso não quer dizer que eu não quis contar uma história, os personagens e tudo isso aí.
Voyeurismo
O cinéfilo é muito voyeur. O cinéfilo é muito o cara que senta ali na cadeira e fica olhando pelo buraco da fechadura. Não me acho uma pessoa voyeur no dia-a-dia. Não sou uma pessoa curiosa, voyeurista, talvez porque eu gaste todo o meu voyeurismo vendo filme. Se eu não pudesse ver filmes talvez ficasse uma pessoa mais voyeur (risos). Mas no dia-a-dia acho que tenho uma coisa de olhar as pessoas, de observar, até pelo fato de ser diretor de cinema. Mas é que eu não olho esse voyeurismo do ponto de vista, vamos dizer, erótico, eu olho do ponto de vista profissional. O diretor é obrigado a observar as pessoas, entendeu? São sempre personagens. Então você está sempre meio pescando personagens. Vira quase que um calo de profissão. Além do voyeurismo normal de sentar em uma sala e assistir a um filme.
Filmar em Cinemascope
Sempre foi vontade minha. Não sou eu que estou dizendo isso, isso foi François Truffaut. Nos Incompreendidos, filmado em Cinemascope, ele disse uma coisa que eu já sabia há muito tempo: “o Scope dá a impressão de que custou muito mais caro” (risos). O Truffaut, quando fez Os Incompreendidos, que foi um filme que ele fez com 3 tostões, ia filmar em Cinemascope. Ele estava fazendo um filme pobre, com atores desconhecidos, e tinha que ter uma coisa que fizesse o filme ficar parecendo que custou mais caro. Perfume de Gardênia era pra ter sido filmado em Cinemascope. A gente filmou logo na era pós-Collor, havia problemas técnicos muito complicados no equipamento. Dulce Veiga foi filmado em Super 35mm, o efeito Cinemascope foi feito depois. Perfume de Gardênia foi filmado com tão pouco dinheiro que se a gente tivesse um probleminha fodia tudo. Então quando apareci com o Cinemascope, tudo mundo falou “não, porque a câmera tem um problema, tem uma das lentes que não pode usar, tem não sei que lá mais...”, e eu fiquei com medo e naquela época até existia Super 35mm, mas era uma coisa que não era factível no Brasil. E desisti. A Hora Mágica nunca foi pensado em Cinemascope, até porque é um filme de ambiente dos anos 40, e o Cinemascope não combina. No Dulce Veiga, como a gente fez em Super 35mm, teoricamente poderia fazer uma versão não-Cinemascope porque usa-se o negativo inteiro de qualquer maneira. O Cinemascope sempre desperdiça um pedaço, e tinha uma certa exigência por causa da exibição em TV. “Então vamos fazer as duas versões”. Só que chegou uma hora e eu falei “bicho, eu tô fazendo um filme em Cinemascope. Essa história de tentar enquadrar um e aí depois ficar imaginando que vai ter outro enquadramento... Isso não vai dar certo”. Foi uma longa discussão de que “o filme é só em Cinemascope, não vai ter uma versão full pro DVD”, e me disseram “mas aí a Globo não compra”. “Então a gente não vai vender pra Globo”. Chegou uma hora que eu falei “acabou, não tem essa. O filme é Cinemascope, vai ser exibido em Cinemascope e o resto, sorry, não é possível”.
Os nove finais de Onde Andará Dulce Veiga?
O roteiro original que eu escrevi com o Caio tinha um final que não nos satisfazia, a gente achava que era ruim. Até tem no filme, mas não exatamente no mesmo lugar que era. É o final do programa de auditório. Quando o Caio foi escrever o livro, escreveu um outro final. Já quando lançou o livro, não achava que o final era legal. E até o Caio morrer, a gente sempre discutia como seria o final do Dulce Veiga. Quando eu sentei pra escrever, achava que o filme tinha um sério problema porque criava toda uma expectativa, ou seja, existia uma possibilidade de frustrar no final pelo personagem não encontrar essa Dulce Veiga, ou porque demorava muito pra encontrá-la, e eu comecei a perceber que não existia um final que pudesse agradar todo mundo. Tem sempre uma regra de que um filme tem que ter um final, tem que acabar e pronto. É lendária essa regra, a gente não gosta de filme que tem mais de um final. Só que pensei assim: vou exacerbar essa idéia. O filme vai começar a ter tanto final que o espectador vai parar de esperar o fim, e aí eu acabo. Então, na realidade, é um encadeamento de finais. Eu não montei assim, não é final 1, final 2, final 3. Tanto que tem o final do programa de auditório, o filme poderia nem ter a Amazônia, poderia acabar antes. O Hector Babenco acha que o personagem não deveria encontrar a Dulce Veiga. Eu não concordo. Mas tem sentido, entendo porque ele acha isso. Cada pessoa vê outros sentidos. Cada um escolhe o final que gosta mais e deleta os outros.
Tamanho de equipe e verba
Eu nunca trabalhei com equipes muito grandes. Pode ser que em algum dia eu trabalhe e ache um horror, mas não sei te dizer. Nunca achei que mais dinheiro me atrapalhasse. Nunca fiz nenhum filme que eu tivesse todo o dinheiro que queria. Mas a verdade é que, quando eu arrumo mais dinheiro, e no Dulce Veiga eu tive mais dinheiro do que na Hora Mágica, por exemplo, quero mais ainda. Aprendi muito a trabalhar com orçamentos apertados, mas não vou dizer que gosto e nem brigo por isso. Sou até meio contra essa teoria de que, quanto menos dinheiro, mais você aumenta sua criatividade. Isso é uma tremenda bobagem. Posso aumentar minha criatividade com mais dinheiro, com certeza. Existem muito mais coisas que eu queria ter feito melhor e não fiz porque não tinha dinheiro.
Produção nacional
Não acompanho tanto quanto gostaria. Não estou muito satisfeito com o cinema brasileiro como um todo. Acho que tem uma série de problemas acontecendo, e não creio que seja culpa só dos cineastas, acho que é culpa da estrutura que a gente montou de leis de incentivo. Ela foi criada para solucionar o problema e não está solucionando. Está criando uma distorção que pode virar um outro problema. Embora tenha visto alguns filmes de que gostei muito, tenho visto muitos filmes que eu acho ruins, que chamo de filmes “e daí?”. O que o cara quer fazer? Por que ele fez? Ele só fez porque queria dizer que era diretor. O cara não tem idéia, não tem proposta, não tem nada, e, o que é pior disso, o público percebe. Embora as pessoas adorem dizer que eu faço filme autoral, que eu faço filme de arte, tenho pavor desse rótulo. Acho que não consigo ver esse autoral tão claro nos meus filmes. Se você pegar A Hora Mágica, dez anos atrás, e Onde Andará Dulce Veiga?, não consigo imaginar dois filmes mais diferentes em vários sentidos. Pode ser que você vá encontrar várias coisas em que eles são semelhantes, mas tem muitas diferenças. E autoral e filme de arte virou quase um clichê de filme chato. Com o perdão a você que trabalha na crítica, mas vira filme que eu chamo “pra embasbacar crítica”. Tem muito filme que assisto e falo que é pra embasbacar crítico, que não tem sentido nenhum, é um total “e daí?”. E tem gerado filhotes! Isso me preocupa profundamente. Eu não faço filme umbigo. Dulce Veiga pode ser um filme totalmente cerebral, mas não acho que seja um filme umbigo. Se ficou assim, perdão. Foi um erro. Eu estava fazendo um filme que o público ia assistir e ia se divertir. Não todo o público, pois uma das coisas que eu percebi é que, para você agradar um público muito grande, você tem que ter uma dose de mediocridade. Não quer dizer que você precisa ser medíocre. Totalmente medíocre o público também não é burro de engolir. Tem muita gente que faz filme totalmente medíocre que não acontece. São os velhos teóricos sucessos de bilheteria que, na verdade, não dão bilheteria nenhuma. Eu prefiro ser ruim a ser medíocre. Acho que nenhum filme que eu fiz até hoje alguém possa dizer que seja medíocre. Pode até dizer que é uma merda total, mas medíocre... Por isso o cinema brasileiro está entrando nessa cloaca de não saber como sair. Os filmes têm uns cinco mil espectadores e é isso. E o público está ficando arredio de filme que ganha prêmio. Outro dia eu estava brincando: mas será que não tem um fundo de verdade? O filme do Zé do Caixão teve um público absurdamente pequeno perto da enorme mídia, e o filme teve uma mídia que há anos um filme brasileiro não tinha, nem com Walter Salles eu estava vendo tanta mídia. Acho que eu vi mais mídia do Zé do Caixão do que do Batman. Por que ele teve tão pouco público? Será que foi porque ganhou prêmio em festival? Não sei se é verdade, estou exagerando (risos). Mas o público ficou avesso a isso, porque virou sinônimo do filme que ele não quer assistir. E o público tem essa percepção. O público sabe o que quer.
“Lave seus olhos de preconceito e sonhe”
A maior influência que eu tenho no meu cinema são os meus sonhos. Pode ter um monte de coisa de cinéfilo, mas são os sonhos. Eu acredito nisso piamente: o motivo do sucesso quase que arrebatador do cinema no século XX foi o surgimento de uma arte que se parecia muito com o sonho que a gente tem todo dia. Milênios que a gente vem preparando o cinema, porque a gente sonha toda noite. A única diferença é que os nossos sonhos, quando a gente acorda, eles ficam extremamente absurdos. O cinema dá uma certa lógica ao sonho. O bacana do cinema é que ele pega essa linguagem que a gente tem no sonho, uma linguagem supersensorial, e dá uma certa ordem. Infelizmente eu acho que esse “cinema de sonho”, hoje em dia, quase que ficou só ligado a produções americanas, O Senhor dos Anéis e etc, mas no fundo tem filmes que ainda mantêm isso. O cinema brasileiro está com uma tendência do realismo, do naturalismo muito grande – tendência que é, na verdade, mundial. Documentários têm usado cada vez mais isso, até recursos digitais de restauração e recursos de linguagem de ficção, enquanto os filmes de ficção estão usando cada vez mais a câmera tremida propositalmente e uma série de recursos de linguagem de documentário para dar aval, digamos assim, para a mentira, usando a mentira no sentido bom da palavra. Também existe uma tendência mundial muito grande em separar o que é sonho. Ou seja, o que é sonho ficou pra Senhor dos Anéis. Para o Brasil, sem condições de fazer filmes assim, sobrou um outro radicalismo, que é o contrário, o filme pretensamente documental. E o cinema brasileiro está seguindo esta tendência. Não digo que está errado, isso não quer dizer que o filme seja bom ou ruim. Mas esse naturalismo no cinema brasileiro vem de uma tendência internacional, essa tendência do documentário e estar ficando bem parecido com o filme de ficção. Cruza, e você não sabe mais o que é documentário e o que é ficção, o que eu acho bom. Adoraria fazer um documentário fake.
Cinema digital
Eu acho que o digital é maravilhoso. Não vou dizer igual ao David Lynch que “nunca mais farei em película”, mas não vejo muito mais sentido em fazer. Acho que o digital talvez ainda não esteja tão bom quanto a película, ela ainda está um pouquinho na frente. Mas a tendência do digital é ficar melhor que a película. Só que é caro. Não tenho a condição de ter a câmera do Guerra nas Estrelas. Mas a câmera do Guerra nas Estrelas já é melhor que película. Ou seja, a película está com os seus anos contados. Com o Super-35 eu não pretendo mais filmar. Não gostei, achei a câmera pesada, o próximo filme meu, se eu voltar a trabalhar com película, será com o Super-16. Já venho até estudando a possibilidade de fazer Cinemascope com Super-16, que é possível.
Estou trabalhando em um projeto para a televisão. Fiquei muito frustrado com a reação negativa ao Dulce Veiga, um filme que eu realmente esperava que acontecesse mais coisa do que aconteceu. Então, os outros projetos que eu tinha na linha do Dulce Veiga me deixaram um pouco assim, não vendo muito sentido em fazer outro filme nessa linha. Queria muito fazer alguma coisa que realmente tivesse público. E o único jeito de se fazer alguma coisa que tenha público é fazer para a televisão. Concordo que é um filme um pouco diferente, é meio “ame ou odeie”. Senti que mais odiaram que amaram. Mas também teve gente que disse ser o melhor filme que já viu na vida, o que eu achei um exagero. Nunca tinha escutado isso de nenhum filme meu. Lógico que adorei (risos). O fato é que não aconteceu nada com o filme, então fiquei um pouco frustrado. Surgiu essa possibilidade de fazer alguma coisa para TV, onde tem a vantagem de você não ter que captar dinheiro. É uma proposta diferente, e evidentemente não vou poder fazer tudo como queria, tenho que entrar em um outro esquema diferente, mas gosto de entrar. Já trabalhei com pornochanchada, não tenho problema de trabalhar com esquemas. Eu achava que sabia o filme que eu queria fazer, mas depois da reação do Dulce Veiga eu comecei a perceber que o filme que eu queria fazer não tinha nada a ver. Então preciso descobrir que projeto que eu gostaria de fazer que vale a pena investir anos da minha vida em que possa acontecer. Eu sou satisfeito com o Dulce Veiga, acho que você pode gostar ou não gostar, mas não é medíocre e tem seu valor. E graças a Deus meus filmes duram.