por Rafael Ciccarini

Leia aqui todos os editoriais e outros textos escritos por nosso editor, Rafael Ciccarini.

Tempos de novidades e mudanças aqui pelas águas de Filmes Polvo. Ao mesmo tempo em que lamentamos a saída de mais um polvo original, anunciamos com muita satisfação e alegria a entrada de dois novos redatores em nossa Revista Eletrônica, que chega à 9ª edição trazendo, além das já citadas mudanças estruturais, vários textos que, acreditamos, oferecerão ao leitor um leque bastante diversificado de opções críticas e analíticas, que, apesar de não se restringirem a isso, ainda repercutem bastante os filmes e discussões travadas em nossa cobertura da 2ª Mostra de Cinema de Ouro Preto.

Antes de mais nada fica aqui nosso agradecimento ao polvo Janderson Lima pelo tempo que nos engrandeceu com sua Grande Angular, cujos textos agora podem ser encontrados em nosso arquivo. Fica a certeza do sucesso em suas novas empreitadas e mantém-se um elo que há muito ultrapassou o profissional. Continuemos, portanto, com o sentimento da amizade renovado e a vontade cada vez maior de fazer desse nosso site-revista o melhor e mais amplo espaço possível.

Assim sendo, apresentamos nossos dois novos redatores: João Toledo, que assina a coluna Corte Seco e Nísio Teixeira, que passa a comandar a Fora de Quadro. Ambos já são conhecidos dos leitores mais assíduos, pois já vêm colaborando em nossas coberturas de Mostras, mas agora ganham titularidade, reforçando exponencialmente nossa redação, que volta a contar com oito integrantes. Muito boas vindas aos novos colegas e amigos.

Aliás, podemos inclusive começar a apresentação desta nona edição com seus respectivos textos de estréia: em Fora de Quadro, Nísio adentra o universo de João Moreira Salles e de seu Santiago, num ensaio que passeia entre o pessoal e o analítico com a nuance e a complexidade que a instigante obra de Salles faz por merecer. Também nos traz, em outro texto, breves digressões sobre alguns dos filmes exibidos na Cineop. Já em seu Corte Seco, João Toledo discute a tão debatida e nunca esgotada questão da adaptação literária para as telas de cinema, tema que inclusive já apareceu pelas páginas de FP, mas que aqui volta com a verve e a minúcia que, verão, serão marca deste autor.

Outros temas que por aqui já estiveram também retornam nesta edição sob outros prismas e nuances, como a questão das relações entre Teatro e Cinema, que, em Cinema Revolução, Douglas Lisboa discute tendo como centro a questão da atuação, suas peculiaridades e as vertentes teóricas que tentam lhe dar escopo e significação. Assim como a questão da autoralidade, que Leonardo Amaral traz discutida à luz da obra de Sofia Coppola, mais especifcamente de seu recente Maria Antonieta: aqui é retomado o tema da Polítique Des Auteurs, a fim de investigar, de certa forma, a atualidade da famosa teoria-manifesto de François Truffaut. O texto é está em Cinetoscópio.

Nesta nona edição, como dito antes, Ouro Preto ainda reverbera forte: Cão Sem Dono, de Beto Brant e Renato Ciasca (exibido por lá e já em cartaz nas salas brasileiras), ganha aqui mais dois textos, além daquele que já se encontra publicado em nossa cobertura: em Raccord, Ursula Rösele o aborda em comparação direta com a obra imediatamente anterior Brant, Crime Delicado, buscando compreender o cinema atual do diretor a partir de recorrências formais e simbólicas presentes nas duas obras. Também Matheus Cajaíba, em Back Projection, volta sua análise para o filme, que nesse caso aparece numa perspectiva menos favorável em detrimento da própria obra do diretor.

Fechando, temos três textos sobre filmes que estão nesse momento em cartaz. Em Close, Mariana Souto aborda Marcas da Vida, buscando desvendar sua articulação metalingüística e suas formas de contato com vários aspectos da contemporaneidade. Já Gabriel Martins, em Plano Seqüência, traz análises de filmes diametralmente opostos: Baixo das Bestas, o mais recente e controverso filme de Cláudio Assis, que aqui ganha uma visão não menos polêmica e 13 Homens e um Novo Segredo, terceiro exemplar da franquia Ocean’s e o único blockbuster analisado nessa variada edição que aqui apresentamos. Nada pessoal contra eles, aliás, mas não deixa de ser uma pequena provocação, num contexto em que os mesmos ocupam mais de 70% das salas brasileiras em detrimento de uma série de produções nacionais e internacionais que não encontram espaço para serem lançadas.

Fiquem à vontade, divirtam-se, irritem-se e, caso queiram, contem pra gente através da sessão Contato, que fica logo ali à esquerda. Baterias renovadas, muito trabalho e sempre muitos filmes a vermos, discutirmos e vivermos. Vamos a eles, pois.