
por Rafael Ciccarini
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Eis que o tempo passa de tal forma rápido que mal notamos e Filmes Polvo já chega à 10ª Edição. Uau! E preparamos uma edição bastante especial para a chegada aos dois dígitos, tanto do ponto de vista dos textos que a compõe e sobre os quais falarei em seguida, quanto da satisfação em trazermos uma longa entrevista com o crítico Cléber Eduardo, co-editor da Revista Cinética, curador das Mostras de Tiradentes e Ouro Preto e figura fundamental no contexto cinematográfico-crítico contemporâneo.
Vocês podem acessá-la pelo banner logo acima ou através da sessão Editor. Com isso, inauguramos mais esse vertente em Filmes Polvo e a idéia é que regularmente a revista traga aos seus leitores conversas com outros críticos, acadêmicos, cineastas e todos aqueles que tiverem algo a contribuir e a acrescentar ao atual cenário reflexivo. Realizada por e-mail, a entrevista acabou cobrindo assuntos diversos, desde o cenário da produção contemporânea, as diferentes gerações da crítica, Internet x grande mídia, até apontamentos e digressões sobre o lugar da crítica e do próprio cinema. Não deixem de ler.
Aos textos, então. De saída, uma série deles enfocando o cinema brasileiro: em Fora de Quadro, Nísio Teixeira presta uma pequena homenagem a José Agrippino de Paula, cineasta e escritor, autor de filmes lendários e do mítico e vanguardista Panamérica, de 1968, que acaba de nos deixar. Homenagem, importante frisar, à qual a Revista como um todo faz questão de se juntar. Também, ainda em Fora de Quadro, são abordados os filmes da mineira Patrícia Moran, vistos em conjunto numa Mostra recém ocorrida em Belo Horizonte.
Já João Toledo, em Corte Seco, fala de sua relação com o cinema contemporâneo nacional, propondo uma investigação das relações entre os meios de financiamento e produção com a linguagem, o discurso e a verdade (ou a falta dela) dos filmes produzidos nos últimos anos no Brasil. E falando em verdade, diga-se o que quiser de Domingos de Oliveira, mas é praticamente impossível negar a verdade com que concebe e constrói seu cinema. Aqui, seu filme mais recente, Carreiras, é abordado por Ursula Rösele, em Raccord, tanto à luz de suas recorrências autorais e estilísticas como no que diz respeito à importantíssima e emblemática militância engendrada pelo filme e seu autor.
Duas obras fundamentais da história do cinema também ganham análises nesta décima edição: Mariana Souto, em Close, fala da infância à luz da obra seminal de François Truffaut, Os Incompreendidos, num texto que busca reencontrar no filme uma certa visão da infância que por vezes fica em segundo plano em detrimento de análises mais fortemente teórico-históricas do mesmo. Também temos, em Back-Projection, Matheus Cajaíba se adentrando no universo simbólico do amor concebido por Krzysztof Kieslowski em seu Não Amarás, um filme que permanece desafiando sensibilidades à medida que envelhece.
Também temos abordados mais três filmes atualmente em cartaz: Leonardo Amaral, em Cinetoscópio, faz um denso mergulho crônico-crítico na obra mais recente de David Fincher, Zodíaco, filme que segue reverberando fortemente desde sua exibição no Festival de Cannes e desses filmes que provavelmente seguirão sendo discutidos à medida que o tempo avança. Também discute a vertente ‘descompromissada’ representada por alguns blockbusters em cartaz no circuito, sobretudo Treze Homens e Um Segredo, terceiro da franquia Ocean’s. Completa a sessão dos filmes atualmente em cartaz a análise de Invasão de Domicílio, presente em Plano Sequência, onde Gabriel Martins lança luz aos artifícios técnicos e dramáticos presentes do filme de Anthony Minghella, o aproximando a Closer, de Mike Nichols.
Para fechar, temos Douglas Lisboa confirmando a vocação peculiar de seu Cinema Revolução e aborando o universo dos mangás e animes à luz das diferenças culturais entre ocidente e oriente, centrando fogo em Ghost In the Shell, de Mamoru Oshii.
E é isso. 10ª Edição, 10 textos. Nada intencional: o importante é a satisfação de oferecer aos nossos amigos leitores uma gama de textos que represente a inquietação que permanece nos levando à frente. Obrigado a todos e uma boa leitura!