
por Rafael Ciccarini
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Novo ano, nova edição e Filmes Polvo fazendo quatro anos na véspera de mais uma cobertura da Mostra de Tiradentes. Entramos, pois, em 2011, bastante animados com as surpresas que as telas nos reservam, bem como muito animados a continuar nosso trabalho na revista e, dentro de nossas capacidades e possibilidades, torná-la o mais instigante e relevante possível àqueles que já habitualmente nos leem a aos que ainda nos darão esse privilégio.
Um ano novo, como sabemos, traz consigo uma série de expectativas em todas as áreas e esferas. No cinema, claro, não é diferente: o que esperar de mais uma Mostra Tiradentes, mais um Festival de Cannes, Festival do Rio, Mostra internacional de São Paulo, Forum.doc e tantos outros eventos nacionais e internacionais? E do circuito de exibição? Nos veremos às voltas com as mesmas velhas questões? O que esperar, ainda, do cinema brasileiro neste ano que se incia? Aliás, o leitor encontrará, na presente edição, texto a esse respeito (ver coluna Plano Sequência), bem como outros a virem nas próximas edições – descer o mais fundo possível na reflexão acerca do cinema brasileiro é uma de nossas resoluções para 2011.
É também nosso desejo o de expandir nosso arco reflexivo de modo a abarcar outras variações do universo audiovisual, principalmente, até o momento, duas delas: as séries de televisão e o videogame. Na presente edição há texto que lida com três séries: The Office, Modern Family e Arrested Development. A ideia é que tais textos se tornem minimamente frequentes. No que diz respeito ao videogame, ainda que a Revista se posicione de maneira aberta ao suporte (se é que podemos assim defini-lo) trata-se, por enquanto, mais da manifestação de um desejo (até mesmo para ver como isso repercute entre nossos leitores e potenciais colaboradores) que de uma realidade. A conferir.
Além disso, nesta edição 38, poder-se-á ler ler textos que vão desde filmes badalados e blockbusters como A Rede Social (capa) e Jackass 3d a um texto que ao mesmo tempo em que aborda Parente é Serpente, presta uma homenagem – mais do que merecida – a Mario Monicelli. Ainda nas homenagens, Curtis Mayfield é lembrado em texto sobre Superfly. Ainda, textos que abordam nomes e filmes decisivos na história do documentário: Michael Brault, Pierre Perraut e Jean Rouch. Nessa linha de abordagem mais conceitual e acadêmica ainda há ensaio que pensa Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro no contexto da apropriação da violência como imagem e produto pela mídia (sobretudo televisiva) brasileira contemporânea. Não menos importante, Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos, novo de Woody Allen, também tem espaço nesta primeira edição de 2011, que, por fim, aborda Contagem, do polvo Gabriel Martins em pareceria com Maurílio Martins.
Um excelente ano a todos e que 2011, se não for perfeito, seja no mínimo muito excitante para nós e para vocês. Será um prazer tê-los por aqui.
Rafael Ciccarini
Editor
Textos da Edição:
Fade-out: A Rede Social: o filme do Facebook – e de uma geração.
Story Line: Mario Monicelli: idade, covardia e coragem
Cinetoscópio: Dos procedimentos do cinema direto de Wiseman à imagem cínica: quando o cinema vira telejornal e o telejornal incita um cinema precário
A verdade da memória e a escritura do tempo: a trilogia da Ilha de Coudres
Fora de Quadro: Michel Brault, parte VI - L’Acadie, L’Acadie’?!, Elogie du Chiac em conexão com High School, de Frederick Wiseman: o ano sem fim de 1968 e belas lições cinematográficas.
De Gypsy woman a Superfly: saudades do Curtis Mayfield
Plano Sequência: Pós-2010: aberta a estrada da renovação
Jackass 3D
Raccord: Arrested Development, Modern Family e The Office: a câmera como personagem e o ator como personagem de um pretenso mundo real
Corte Seco: Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos
Contra-Plongée: “Contagem”, de Gabriel Martins e Maurílio Martins: filme-catástrofe da intimidade