
por Rafael Ciccarini
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Nova edição na Filmes Polvo, nossa trigésima-sexta, que vem ao ar no momento em que filmes já lançados em outras praças há algum tempo finalmente chegam às telas de Belo Horizonte. No caso de À Prova de Morte, de Quentin Tarantino, (que aqui ganha texto) a diferença é de anos se levarmos em conta o lançamento mundial – já assistimos a Bastardos Inglórios, mas só agora podemos assistir à obra que lhe antecede. O caso de Tudo Pode Dar Certo, de Woody Allen, que também ganha análise nesta edição é igualmente particular: Filmes Polvo já havia visto e escrito, em Cannes, sobre seu filme posterior e ainda não tínhamos acesso (ao menos no sentido tradicional do termo) a seu filme de 2009.
Aproveitemos o ensejo para, a partir desses dois exemplos – mas de maneira nenhuma apenas em fução deles (que têm suas notórias peculiaridades), dizer algo a respeito de uma situação, um impasse, um incômodo, cujos ecos são fortes demais dentro e fora da nossa redação para que não seja de alguma forma colocado para fora: o misto de extrema preocupação e severo desapontamento com o cenário exibidor de Belo Horizonte, onde Filmes Polvo tem sua “sede”. Fechados vários dos tradicionais espaços de programação que não seguem apenas a lógica comercial, a situação atual aponta para uma quase extinção da experiência do cinema para fora dos parâmetros dos shoppings, suas salas, seus blockbusters e suas pipocas.
Tirando poucos e bravos espaços de resistência, como nosso Cine Humberto Mauro, o Cineclube Savassi e o Usiminas Belas Artes, que totalizam cinco pequenas salas, estamos ao sabor amanteigado de uma lógica que cada vez mais deixa de ser uma lógica para ser a lógica. De toda maneira, as perguntas que parecem caber, visto que uma solução nos parece bem longe de ser vislumbrada é: será reversível? Será a situação das outras capitais tão diferentes? E o que dizer das não-capitais?
Enfim, será que o cinema do século XXI terá essa característica? A de reservar a quase totalidade dos espaços de exibição ao cinema industrial-comercial-hegemônico, deixando as outras formas de experiência cinematográfica para outros meios e formatos? É uma questão com a qual já nos deparamos, vivenciamos e da qual não poderemos escapar. Filmes Polvo tem, claro, algumas idéias e planos para ações concretas nesse sentido. Por hora, satisfaçamo-nos com a abertura dessas primeiras questões e com a capa da presente edição, que, ao homenagear Rogério Sganzerla (que também ganha texto por aqui), não se furta a assumir uma linha bastante clara nessa história – que esperamos se tornar ainda mais cristalina daqui por diante.
Voltando à nossa edição 36, convidamos aos leitores percorrer os textos, clicando em quaisquer de nossas oito colunas fixas: em cada espaço, em cada autor, ao menos um novo texto por edição. E a lista com os textos atuais também consta logo abaixo. Esperamos vocês em nossa Comunidade do Orkut, nosso blog e em nosso emails, que podem ser encontrados na área Contato. Abraços a todos e sejam sempre bem vindos de volta às nossas páginas.
Rafael Ciccarini
Editor
Textos da Edição:
Fade-out: “Vício Frenético - Os tenentes maus de Abel Ferrara e Werner Herzog: o regimento do caos na busca pela lógica.”
Story Line: “Comédia à francesa - parte 4: A Riviera não é aqui”.
Cinetoscópio: “Informação H.J. Koellreutter”, “B2”, “Documentário”, “Irani”, “Viagem e descrição do Rio Guanabara por ocasião da França Antártica”, e “Linguagem de Orson Welles”: Rogério Sganzerla em seis tempos”.
Fora de Quadro: “Utopia e Barbárie: pedaços de bons e maus caminhos” e “Juvenília: Michel Brault e o cinema-verdade no Quebec (IV) – Le temps perdu e Geneviève”
Plano Sequência: “À Prova de Morte”.
Raccord: “Tudo Pode dar Certo, ou melhor dizendo, “Whatever Works”.
Corte Seco: “Deformações e mutilações da matéria no tempo da supra-realidade: reflexões sobre o caso Bruno, a Copa do Mundo e o 3D”.
Contra-Plongée: “O Escritor Fantasma, Desejo e Reparação e Budapeste: o “filme de cinema” versus o “livro de literatura”.