por Rafael Ciccarini

Leia aqui todos os editoriais e outros textos escritos por nosso editor, Rafael Ciccarini.

Passada a intensa e alucinante correria do Festival de Cannes, onde tivemos o prazer de estar pela terceira vez consecutiva (nossa cobertura pode ser lida aqui), e no meio do furacão chamado Copa do Mundo,  que atinge quase toda a redação de Filmes Polvo (e mais alguns bilhões de pessoas pelo globo terrestre)  vem ao ar nossa edição 35. No entanto, se a Copa acontece de quatro em quatro anos, o Cinema, para nosso deleite constante - e alegria incontida - não pára: ao mesmo tempo em que entra no ar esta nova edição, rumamos para Ouro Preto para a cobertura do 5º CINEOP, evento religiosamente coberto pela Revista e que neste ano promove uma curiosa divisão temática entre o futebol - pelos óbvios motivos acima aludidos - e a Cinédia, momento chave da história do cinema brasileiro, para muitos o pontapé inicial de uma era que se iniciaria na década de 1930 para acabar em meados da década de 1950, com o fim da Vera Cruz. Será?

 

Dentre outras coisas, é o que veremos por lá. Nesse meio tempo, apresentamos aos leitores mais uma gama variada de textos que dão conta do que vem nos movendo cinematograficamente, com destaque para o inegável furor causado por O Escritor Fantasma (capa), novo filme de Roman Polanski, que aqui ganha três diferentes textos, os quais, ainda que com pontos de toque em comum, trazem diferentes olhares para esta obra que, felizmente, parece ter devolvido o franco-polonês ao terreno de discussão que realmente interessa; é um prazer ver um cineasta dessa relevância sendo mais discutido em publicações dedicadas ao cinema do que em arenas bastante duvidosas que por aí pululam.

 

Além disso, encontrar-se-ão por aqui opções as mais diversas de leitura: da continuação do Dossiê – Cinema Canadense, que há muito vem sendo desenvolvido nessas páginas virtuais a uma nova abordagem do cinema de Eduardo Coutinho, desta vez pensado sob a luz do instigante diálogo entre o documentário e o teatro promovida em suas obras mais recentes, Jogo de Cena e Moscou.  Ainda, o leitor encontrará textos lidando com O Buraco, de Tsai Ming Liang, O Homem Sério, novo trabalho dos Irmãos Coen, e o Segredo dos Seus Olhos, em novo olhar dedicado ao filme de Juan José Campanella, além de uma imersão em A Bela Intrigante, obra seminal de Jaques Rivette. Por fim, há ainda o Breve Panorama do Cinema Sergipano, trabalho de pesquisa sobre a produção cinematográfica de um Estado não tão habitualmente abordado no que tange à história do cinema brasileiro.

 

Fica, então, o duplo convite ao nosso leitor, tanto para passear pelos textos da presente edição, quanto para acompanhar nossa cobertura do CINEOP. Mas muito mais virá por aí: o segundo semestre promete, tanto em termos de novidades em Filmes Polvo quanto pela já conhecidamente intensa programação cinematográfica, onde teremos, entre diversas outras coisas, o Festival do Rio e a Mostra Internacional de São Paulo, eventos os quais certamente estaremos. Vamos, pois, aos jogos, aos filmes, às Mostras, aos Festivais. Nos encontramos por aqui e por aí, na próxima edição, no próximo filme, na próxima Copa...

 

Rafael Ciccarini

Editor

 

Textos da Edição:


Fade-out: “O Escritor Fantasma – O Filme de Roman Polanski”

Story Line: “O Escritor Fantasma – o homem que sabia de menos”.

 

Cinetoscópio: “A Bela Intrigante: o quadro sempre como o limite”.

 

Fora de Quadro: “Breve panorama do cinema sergipano”, “Mobilis in mobile: Michel Brault e o cinema-verdade no Quebec (III) – Pour la suite du monde e  O segredo de seus olhos ou as revelações do olhar de Campanella”


Plano Sequência: “O Buraco”. 


Raccord: “
Jogo de Cena e Moscou: do palco à tela e o palco na tela”. 

 

Corte Seco: “Um Homem Sério: sinfonia do imponderável”.

 

Contra-Plongée: “O Escritor Fantasma e o eterno retorno no cinema de Roman Polanski”.