por Rafael Ciccarini

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Passeando entre o desejado e o possível, mas renitentes e sempre animados e excitados com as imagens e o que elas nos dizem e/ou omitem, chega ao ar mais uma edição de nossa Revista Eletrônica. O ano de 2010 já engrenou de vez, e ele promete, tanto nos planos vindouros de Filmes Polvo, quanto no que há por vir nas telas, nos Festivais e Mostras do Brasil e fora dele.

 

Foi-se também, nesse meio tempo, o Oscar, e com ele as habituais - e nem sempre relevantes - pautas que a festa da indústria americana traz consigo. A questão que se coloca por aqui, parece ser menos a respeito de repercutir ou não as “discussões” que forçosamente se colocam nesse período, mas de tentar separar disso o que é simplesmente propaganda e de fato nos colocarmos a refletir sobre o que pensamos ser questões efetivamente relevantes à história do cinema, sua linguagem e estética.  O leitor encontrará, nesta edição, por exemplo, texto sobre Guerra ao Terror, assim como pôde ler, na edição anterior, outro sobre Avatar.

 

Há, de fato, uma revolução em curso? Em que termos ela se colocaria e a quem ela serve? A vitória de um filme barato e quase independente sobre um produto multimilionário, interplanetário e pós-digital significa alguma coisa? Ou confirma uma aleatoriedade super-conceitualizada que é marca da indústria contemporânea?  São questões que nos parecem relevantes e que certamente voltarão às nossas páginas quando a respeito delas se puder dizer algo para além do deslumbramento ou do ceticismo.

 

Que nosso leitor fique à vontade para, mais uma vez, percorrer nossas páginas. Nesta edição há desde continuações de sagas já em andamento, como a segunda parte do atento e sensível olhar dedicado a um nome linha de frente da comédia americana contemporânea, Judd Apatow - e seu vasto universo circundante - e mais um texto de Nísio Teixeira em impressionante exercício de mergulho na história e presente do cinema canadense, desta vez em texto sobre o cineasta Michel Brault. Além disso, Marcelo Miranda escreve sobre as relações entre as salas de cinema, a tela e a vida.

 

Como habitual, o cinema nacional também se mostra fortemente presente: ao percorrer nossas colunas, o leitor encontrará textos que vão de É Proibido Fumar, de Anna Muylaert, ao novo trabalho de Marília Rocha, A Falta Que Me Faz, em texto que o aproxima de outros e importantes filmes contemporâneos como Pacific, de Marcelo Pedroso, Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo, de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes e Morro do Céu, de Gustavo Spolidoro. Ainda, texto sobre Malícia Atômica, obra de Nicolas Roeg e Onde Vivem os Monstros, de Spike Jonze.

 

 

Ao leitor, boa leitura e boas surpresas.

 

Abraços,


Rafael Ciccarini

Editor

 


Textos da Edição:

 

Story Line: “Onde vive  Spike Jonze?”

 

Cinetoscópio: “A imagem da alteridade: “A Falta Que Me Faz”, “Pacific”, “Viajo porque preciso, volto porque te amo” e “Morro do Céu” e “É Proibido Fumar”, de Anna Muylaert”

 

Fora de Quadro: “O momento decisivo: Michel Brault e o cinema verdade no Quebec (I) - Les Raquetteurs

 

Plano Sequência: “Guerra ao Terror – algumas breves anotações”

 

Raccord: “A Nova Geração da Comédia Americana: Judd Apatow e cia (Parte 2)”

 

Corte Seco: “Malícia Atômica: instável universo paralelo”

 

Contra-Plongée: “Uma Sala de Cinema, Várias Salas de Cinema”