
por Rafael Ciccarini
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Eis que a Filmes Polvo chega à sua 30ª edição num momento deveras agitado e consideravelmente excitante no que diz respeito aos filmes que por aí andam circulando e repercutindo. E são inegavelmente fortes os casos de Amantes, de James Gray (capa) e Moscou de Eduardo Coutinho, filmes tão diferentes quanto provocadores, tão singulares quanto potentes e cuja força e paixão das reações a eles são sempre renovadoras e algo belas: para além das mesmices e das mumunhas contemporâneas, há vida intensa no cinema, e ela pulsa.
E é bastante interessante se tratarem de filmes cuja filiação básica seja tão distante. De alguma forma e cada um à sua maneira, são obras que dão fôlego novo às suas próprias possibilidades de origem (documentário e ficção), além de serem respostas estéticas bastante fortes a um suposto desgaste formal e/ou conceitual de ambas as matrizes. Enfim, esta edição traz ao leitor quatro textos, dois sobre o filme de Gray e outros dois sobre o trabalho de Coutinho, cabendo aqui uma dica ao leitor ainda não familiarizado ao intenso debate em torno de Moscou: vale a leitura do texto publicado em Raccord, que, para além de se colocar frente ao filme (e isso não é pouco), passeia por algumas de suas salutarmente acaloradas pendengas.
No entanto, claro, há outros ecos consideráveis aqui por estas páginas binárias: de Marguerite Duras a Michael Cimino, passando por Lubitsch e Cronnenberg, esta edição é farta no que diz respeito a grande opções cinefílicas. Do circuito de exibição, ainda há textos sobre À Deriva, de Heitor Dhalia, Almoço em Agosto, de Gianni Di Gregorio e O Contador de Histórias, de Luiz Villaça. Ainda, O Rei do Samba, de José Sette e O Pornógrafo, de João Callegaro. Fechando nossa edição, na sessão de entrevistas, o leitor encontrará entrevista com Adam Nimoy, professor de cinema na New York Film Academy e diretor, entre outras coisas, da série de TV Gilmore Girls, concedida especialmente à Filmes Polvo e conduzida por Leo Cunha.
No mais, seguimos à toda com nossas coberturas: o leitor pôde acompanhar nossa odisséia no Indie e ler textos dos filmes exibidos na Mostra Tecer, ambas ocorridas em Belo Horizonte. Seguimos agora para o Rio de Janeiro, de onde João Toledo cobrirá o Festival do Rio 2009. É vida que segue. Muito mais vem por aí. Se divirtam, acompanhem os textos e as coberturas e participem do nosso blog e comunidade do Orkut. Até já,
Editor
Textos desta edição:
Story Line: “Moscou: cinema mais teatro, menos teatro, versus teatro” e “Amantes e Arraste-me para o Inferno: sobre o mal e os males”.
Cinetoscópio: “Marguerite Duras: construção / destruição do cinema”, “Almoço em Agosto” e “O Pornógrafo: hora de mudar as regras, vamos colocar as cartas na mesa”.
Fora de Quadro: “O Rei do samba: o bloco do Sette pede passagem” e “Parênteses anglófono no cinema do Quebec – I: David Cronenberg e seu primeiro longa, Calafrios” (1975).
Plano Sequência: “O Contador de Histórias”.
Raccord: “Moscou, ou, o que afinal Coutinho sabe fazer?”.
Corte Seco: “Questões sobre À Deriva” e “Teorias da Conspiração – o fora de quadro”.
Contra-Plongée: “Amantes” e “Michael Cimino: o esfacelamento de mitos para a construção de uma obra”.