por Rafael Ciccarini

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Em cena: edição 29.  E uma edição bastante especial, diga-se desde já.  Antes dos textos de nossos redatores habituais (e já vamos a eles), temos o prazer de receber dois convidados que enriquecem sobremaneira esta edição: Humberto Pereira da Silva e Mário Alves Coutinho. Humberto aborda o seminal If..., de Lindsay Anderson, finalmente lançado em Dvd no Brasil e Coutinho traz uma instigante entrevista realizada com Marie-Claire Ropars-Wuilleumier importante teórica francesa do cinema, em que abordaram a intrincada relação da obra de Jean-Luc Godard com a literatura.

Ainda no cinema francês, a presente edição dedica dois textos ao mestre Jean Rouch, que teve sua obra completa recentemente exibida em Belo Horizonte: um deles se dedica a uma série de doc-reportagens de Rouch pela Costa do Marfim; o outro aborda Crônica de Um Verão, obra central da história do cinema em que o cineasta divide a direção com Edgar Morin. Cabe lembrar, ainda, que o francês já havia aparecido aqui nas páginas do Polvo em texto que certamente merece revisita. Continuando na França, o leitor ainda encontra artigo sobre A Mãe e a Puta, de Jean Eustache (quantos grandes cineastas ‘jeans’ há no cinema francês?) e a continuação do estudo de Leo Cunha sobre a comédia francesa, agora abordando três filmes de Georges Lautner, dentre eles Os Tios Bons de Pistola.

Falando em estudo, esta edição traz o último artigo da saga quebequense de Nísio Teixeira, onde aborda mais três documentários de Denys Arcand, que fecham a parte mais desconhecida de sua filmografia, que são as produções anteriores ao início da década de 1980. E também vale a leitura da segunda e última parte da série sobre Brian de Palma, de João Toledo.

E o circuito comercial de exibição também está contemplado, com textos sobre produções certamente relevantes e instigantes em meio a um cenário, de maneira geral, desolador: Apenas o Fim, do estreante em longas Matheus Souza, A Partida, filme que nosso redator apropriadamente apelidou de cellodrama e Jean Charles, recente produção acerca do emblemático acontecimento que vitimizou o brasileiro homônimo.   E ainda, ufa, uma reflexão sobre a simplicidade no cinema (num tempo de maneirismos os mais diversos) e  por fim texto sobre La Teta Asustada, produção peruana e espanhola vencedora do Urso de Ouro do Festival de Berlin, com exibição prevista no Brasil para setembro.

É isso, caros leitores, mas antes de nos despedirmos, fica aqui uma palavra de agradecimento a Mariana Souto, uma das fundadoras da revista e alguém que batalhou muito para que isso tudo acontecesse, que deixa o corpo da redação de Filmes Polvo e vai buscar outros e diversos desafios profissionais e pessoais. Se é inevitável a tristeza, a certeza de que estará sempre conosco alivia e reforça a idéia de que há algo maior e inquebrantável pro trás disso tudo, e que este algo nos deixará Mari e outros outros polvos que por aqui passaram, sempre unidos.

Sigamos adiante, vivamos intensamente o cinema e a vida.  Até já,

Rafael Ciccarini

Editor

 

Textos desta Edição:

Story Line: Comédia à francesa – parte 2: Os Tios Bons de Pistola

Jean, um brasileiro

Cinetoscópio: A Mãe e a Puta (La Maman et la Putain), de Jean Eustache

Jean Rouch e o olhar sobre o outro

Fora de Quadro: Denys Arcand, o Velho do Restelo quebequense e os documentários finais: Québec: Duplessis et aprés..., La lutte des travailleurs d´hôpitaux e Le confort et l´indiferrénce

A Partida: reflexões sobre o melodrama a partir de um cellodrama

La Teta Asustada/Fausta: força e delicadeza diante de pacto intercultural

 

Plano Sequência: Apenas o fim

Raccord: Crônica de Um Verão

 

Corte Seco: Brian De Palma e a Arte de Manipular: 24 mentiras por segundo – parte2

 

Contra-Plongée: O brilhantismo da simplicidade