por Rafael Ciccarini

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Passado o Cine BH e a maratona de sessões e textos que passearam num universo em que se viu desde filmes mineiros dos anos 50, como Rebelião em Vila Rica, de Geraldo Santos Pereira até lançamentos do panorama contemporâneo como Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho, cujos textos, entre dezenas de outros, podem ser lidos aqui, é hora de prosseguirmos. Entre a mais que necessária recarga de baterias e as novidades que um futuro próximo trará a Filmes Polvo, apresentamos, então, esta nossa 14ª Edição.

De início cabe dizer, como a foto que a ilustra já denuncia, não poderíamos deixar de reverberar o fenômeno cinematográfico-sociológico Tropa de Elite, que aqui ganha dois textos que têm em comum o interesse em se discutir mais o filme em sua articulação entre imagem e narrativa e menos o fenômeno; esse já bastante analisado em praticamente todos os meios midiáticos e críticos. Eles estão em Contra-Plongée, de Marcelo Miranda e em Cinetoscópio, de Leonardo Amaral, que também traz texto em que aborda a obra de Luchino Visconti, fundamental nome de cinema italiano, confirmando a grande variedade que habitualmente compõe as edições da revista.

Prosseguindo, então, Gabriel Martins, em Plano-Sequência traz uma reflexão sobre o olhar no cinema contemporâneo a partir da obra de cineastas como Cao Guimarães, Hong Sang-Soo e Gus Van Sant, iniciando diálogo potencialmente fértil com pressupostos teóricos de nomes como o do pioneiro Hugo Munstenberg. Também analisa, na mesma coluna, Fast Food Nation, obra recente de Richard Linklater.

O diálogo entre o Teatro e o Cinema e algumas possibilidades dessas adaptações é o que aborda Mariana Souto, em Close, a partir de O Que Você Faria?, de Marcelo Piñeyro e Doze Homens e Uma Sentença, de Sidney Lumet. Já Ursula Rösele aborda o livro De Olhos Bem Abertos, escrito pelo roteirista Frederic Raphael, como quem Stanley Kubrick trabalhou em seu último filme, De Olhos Bem Fechados e no qual expõe os meandros da parceria: o texto está em Raccord.

Também João Toledo, em Corte Seco, passeia pelo universo fílmico de Esmir Filho e Rafael Gomes, cineastas paulistas cujas obras vêm ganhando relevo crescente e mostrando recorrências temáticas e estéticas que solicitam visitas analíticas. Finalizando esta edição, dois textos de Nísio Teixeira, presentes em Fora de Quadro: no primeiro, Nísio inicia a publicação de seu diário de bordo do projeto Cinema no Rio, do qual participou em 2004 e cujas anotações passa a dividir conosco a partir desta edição. Também nos traz um relato da Mesa: Romance Noir, do qual participaram Marçal Aquino e Tony Bellotto, entre outros, no recente Fórum das Letras, ocorrido em Ouro Preto.

É isso. Fiquem à vontade, divirtam-se e participem através de nossos emails disponíveis na sessão Contato. Até já.

 

Rafael Ciccarini - Editor