
por Rafael Ciccarini
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Passada a nossa cobertura do Festival de Cannes e aquecendo as baterias para mais uma cobertura da Cineop, chega aos leitores nossa edição de número 28. Impressionante como o tempo passa rápido quando fazemos o que gostamos e acreditamos e o quanto, a cada nova edição, conquista ou nova possibilidade que se abre para a revista a nossa sensação é sempre do mais absoluto frescor, de tudo a ser feito: o cinema, seja de ontem ou de hoje, pode ser sempre novo, desafiador, sempre uma aventura.
Dito isso, apresentamos ao leitor uma edição que julgamos bastante coerente com nosso espírito atual, que tem algo de deslumbre e equilíbrio, que faz da pluralidade não um refúgio para o aleatório, mas um resultado natural de esforços diversos de pesquisas e estudos de nosso corpo de redatores, que, ao mesmo tempo em que compartilham o que parece ser o fundamental por aqui (uma especial junção de paixão e rigor) têm diferenças bastante saudáveis que, ao fim, fazem com que a Filmes Polvo não tenha uma visão única e fechada do fenômeno audiovisual, mas visões, olhares, aproximações que, no entanto, não se furtam a empreender defesas veementes e provocações que se entendem como urgentes e necessárias. E muitas vezes o são.
Aos textos, pois, começando por uma série de revisitas a nomes e filmes centrais da história do cinema e que têm mergulhos extremamente intensos em seus universos: de Alain Resnais a Brian De Palma, chegando a um dos mestres maiores do cinema japonês e mundial: Kenji Mizoguchi. Também Godard e Buñuel são abordados a partir de filmes específicos e especiais: Viver a Vida e Susana, a perversa. Ainda temos Hitchcock e Orson Welles aproximados em texto que relaciona A Dama de Shangai e Um Corpo que Cai, títulos cuja importância prescinde de maiores comentários.
Já do circuito comercial, há análises de Sinédoque, Nova Iorque e Divã, ambos bastante polêmicos, ainda que por motivos obviamente diferentes. Ainda, reafirmando uma progressiva e fundamental ampliação do olhar da revista para além daquilo habitualmente conhecido como “cinema”, há um ensaio sobre a obra de Bill Viola, nome decisivo e referência na experimentação audiovisual, além de textos sobre os primeiros documentários da carreira de Denys Arcand (que integram uma longa e densa série de textos sobre o cinema canadense que há mais de um ano vem sendo publicada na revista). Aliás, começa também nessa edição uma série de textos sobre a comédia francesa, na qual serão abordadas obras de Michel Audiard, Bertrand Blier, Francis Veber, Jean-Marie Poiré, dentre outros nomes praticamente ignorados por boa parte da crítica e da cinefilia contemporânea. Fechando, textos sobre Noite Vazia, título essencial da cinematografia brasileira (cujo autor, Walter Hugo Khouri, por uma série de motivos, tem historicamente bastante menos atenção do que parece merecer) e sobre o fenômeno televisivo-cinematográfico South Park.
Desejamos a todos uma ótima leitura. Conversem conosco pelos nossos emails, nosso blog e comunidade do Orkut, que complementam este nosso espaço dedicado ao cinema. Nos falamos em breve,
Editor
Textos dessa edição:
Colunas:
Close: Noite Vazia
Story Line: Comédia à francesa - parte 1: Papai Noel é um Picareta
Sinédoque: Nova York – Isto não é uma cidade
Cinetoscópio: Les Dragueurs
Susana, a perversa: otimismo à la Buñuel
Lugar de Cinema é no Cinema
Viver a Vida: o contracampo é sempre o outro
Fora de Quadro: Denys Arcand, o Velho do Restelo quebequense: Volleyball, Parks Atlantiques e o primeiro longa-metragem On est au cotton
Hiroshima, Meu Amor: sobre como as três perspectivas “borgeanas” de Alain Resnais se bifurcam no filme francês e seu impacto e importância na Quebec dos anos 1960
Plano Sequência: South Park – pois é preciso desconcertar a mídia
Divã
Raccord: Bill Viola: o olhar no vídeo, do vídeo, para o vídeo
Corte Seco: Brian De Palma e a Arte de Manipular: 24 mentiras por segundo – parte 1
Contra-Plongée: Kenji Mizoguchi e os fragmentos do real