
por Rafael Ciccarini
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E entre Tiradentes, blockbusters, Oscars, Imaxs, circuitinhos e circuitões, o Cinema vai seguindo, aqui a alhures, seu curso habitual. E, claro, nos cabe, espectadores, encontrar nossos lugares, bolsões de oxigênio, fugirmos de fogo cruzado, irmos a seu encontro, provocá-lo, amainá-lo. No sempre complexo jogo de forças implícito ao evento cinematográfico, no mais das vezes é preciso (imperativo?) fazer escolhas.
E isso, no contexto em que nossa 25ª Edição vem ao ar, significa, sobretudo, tentar pensar filmes, diretores, períodos e temas, sejam eles quais forem e com a acurácia que consigamos ou não obter, para além das pautas oficiais, artificiosas, questões que partem de pressupostos e dicotomias por si só capciosas (diversão x pensamento, por exemplo) e que servem, apenas e tão somente, para dar um verniz de “reflexão” a um estado de coisas quase invariavelmente monótono e cinzento. Entre Ron Howard e Stephen Daldry, fiquemos com Carlos Alberto Prates Correia, Clint Eastwood, Satyajit Ray ou mesmo Se Eu Fosse Você, por que não? Bom ou ruim, no mínimo, nos diz mais respeito. Ou, por uma série de motivos, no momento, nos interessa mais.
E Tiradentes, claro. O leitor poderá acompanhar nossa cobertura diária, onde tentaremos dar conta desta que é a 12ª Edição da Mostra que, para Filmes Polvo é certamente a mais especial. Aqueles que, anualmente, como um ritual, percorrem aquelas ruas correndo, calmamente, contra o tempo (em suas diversas acepções) dificilmente vão discordar que há mostras de cinema e há Tiradentes. Algo acontece ali. E é atrás desse algo que voltamos sempre. A quem não vai, fica o convite de compartilhar conosco as impressões sobre os curtas, longas e debates que lá ocorrerão. A quem vai também, aliás.
Muitas opções, portanto, seja na cobertura, seja nesta edição 25, cujos textos estão listados logo aqui embaixo. Filmes Polvo vive um momento especialmente feliz e queremos compartilhar isso com nossos leitores. Uma das vantagens de viver-cinema, quando o fazemos com a generosidade e intensidade necessárias, é estar constantemente no terreno da aventura. E é lá que está a liberdade. Sigamos, todos, à sua busca.
Editor
Textos desta edição:
Close: Se eu Fosse Você 1 e 2
Story Line: O Curioso Caso de David Fincher
Cinetoscópio: Por uma Estética Sertaneja, ou, Sobretudo, Por Um Projeto Estético Mineiro
Fora de Quadro: Especial Quebec – Última Parte – Anos 1970 e a Sensibilidade e Meu 2008 no Cinema
Plano Sequência: Marley e Eu e A Troca
Raccord: Trilogia de Apu: Um Breve Olhar para uma Grande Obra Imortal
Corte Seco: Shortbus
Contra Plongeè: A Troca e o Classicismo de Fachada de Clint Eastwood