
por Rafael Ciccarini
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Eis que, no momento em que se aproxima o fim do ano de 2008, chegamos à nossa 24ª edição. Antes de mais nada, caro leitor, cabe dividir a imensa alegria por chegarmos ao fim de um ano tão intenso não apenas nos sentindo recompensados, mas sobretudo com o ânimo mais que renovado para o ano que bate à porta e os seguintes. A sensação de dever cumprido é menos um resultado de uma análise fria daquilo que pudemos fazer e muito mais um entusiasmo que parece não ter fim: um sentimento de estarmos em dia com nossas consciências e paixões, de não virarmos as costas, de entendermos que a sensação íntima de estar vivo tem a ver com a excitação do tudo a ser feito, esse amor ao presente – que é também uma forma de nostalgia do instante – esse amor ao Cinema.
Sendo assim, ainda que o clima de fim de ano quase nos force a esse clima de balanço, preferimos não fazer um inventário de realizações, mas convidar o leitor a passear por nossas páginas e servir-se como melhor lhe convier do que fizemos durante esses quais dois anos e também, claro, da edição que vem agora ao ar.
E chama atenção, dessa vez, como textos com objetos bastante diferentes acabam por lidar com questões semelhantes – até porque centrais à reflexão cinematográfica: da provocação a uma certa apreciação da comédia a partir da recente inclusão de Um Convidado Bem Trapalhão em mais uma lista da Cahiers, à reflexão sobre o western clássico/moderno a partir da análise de El Dorado, de Howard Hawks, passando por questões sempre fundamentais, como autor x indústria e derivações, a partir do novo filme de Riddley Scott, Rede de Mentiras. Sem contar, claro, o verdadeiro caleidoscópio de questões levantadas por Brian de Palma no filme que dá capa à presente edição: Dublê de Corpo.
Também dentro deste contexto, texto sobre a Mostra Cinema Sim, que, como se lerá, inevitavelmente coloca em questão novas e velhas inquietações acerca do mundo da imagem. Como se não bastasse, há textos sobre filmes decisivos da história do cinema, como Feios, Sujos e Malvados, de Ettore Scola, e recentes em cartaz, como o novo de Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona e Mil Anos de Orações, de Wayne Wang. Por fim, Os delírios do cinema brasileiro em 2008, onde o leitor encontrará de Andrea Tonacci a José Mojica Marins, passando por Carlos Alberto Prates Correia.
E falando neste que é dos maiores nomes do cinema brasileiro (e sobre o qual temos textos em nossa recente cobertura do fórumdoc.bh) , temos o prazer de publicar o belo (e inédito) texto do cineasta Geraldo Veloso, amigo pessoal e parceiro profissional de Prates, que, a partir das reminiscências geradas com o recente filme do colega, Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais, relembra o contexto do cinema mineiro nos efervescentes anos 70. É o presente que reservamos ao leitor nessa nossa última edição do ano e que pode ser encontrado em nossa sessão de Convidados.
E muito, muito mais vem por aí. Fiquem à vontade para conversar conosco pelos nossos emails e nossa comunidade do Orkut. Feliz ano novo para todos nós e um grande e carinhoso abraço de nossa equipe ao nosso leitor, irmão cinéfilo. Continuemos juntos.
Rafael Ciccarini
Editor