
por Rafael Ciccarini
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Glauber, Sganzerla, Jabor e Mauro: combinação improvável, curiosa para alguns, absurda para outros, mas que talvez sintetize o espírito e o contexto em que emerge esta 20ª edição de Filmes Polvo, que, ainda que absolutamente diversificada, como habitual, entra no ar quase ao mesmo tempo em que começa o 3º Cineop, evento que vem se consolidando como sendo aquele em que mais profundamente se discute a história do cinema brasileiro em vários de seus aspectos e possibilidades.
Os dois primeiros, Glauber Rocha e Rogério Sganzerla, são os homenageados desse 3º Cineop e terão várias de suas obras exibidas e sua presença e importância discutida tanto em termos históricos, como os dois nomes centrais do cinema moderno brasileiro, quanto em termos do presente, qual seja: em que medida seus legados se relacionam com o cenário da produção contemporânea nacional. Filmes Polvo, claro, estará lá e procurará trazer ao leitor um bom panorama do que acontecerá na Mostra: vocês encontram os textos em nossa sessão cobertura e também em eventuais postagens em nosso blog.
Já Humberto Mauro e Arnaldo Jabor ali estão porque, coincidentemente ou não, ganham textos na presente edição; curioso pensar em seus lugares na história do cinema brasileiro. Mauro como absoluto pioneiro e Jabor como um peculiar seguidor do cinema novo; ambos, em suas épocas e contextos – e consideradas as diferenças de relevância histórica, vista a grandeza fundadora de Mauro, com seminal interesse pelo Brasil e suas questões e contradições – não por acaso ambos têm filmes que lidam com o surgimento do país e ambos absolutamente impregnados pelo momento em que são levados a cabo: Descobrimento do Brasil e Pindorama.
Aliás, o cinema de Humberto Mauro, de forma complementar à discussão do surgimento do cinema moderno brasileiro (2º Cineop) e sua afirmação autoral e radical (3ª Cineop), interessa bastante a Filmes Polvo e, se nessa edição começa a ser esboçado um contato com sua obra, é nossa idéia dar prosseguimento e tentar entender esse autor para além da museologia habitual ou de um certo fetiche cinemanovista, que, se sem dúvidas revalorizou sua figura, ao mesmo tempo acabou por mumificá-lo nessa idéia de “nosso primeiro autor”, que, independentemente se verdadeira ou não, reduz a nuance e as possibilidades de cotejo de seus vários filmes com os tempos presentes. Aguardemos.
Por ora trazemos ao querido leitor uma gama mais que variada de textos, que vão desde obras decisivas de nomes como David Lynch e Brian De Palma, até um passeio pela obra de Wong Kar-Wai a partir de seu último filme, Beijo Roubado, além de textos sobre Speed Racer, O Sonho de Cassandra e outros. Cabe também destacar, nessa edição, série de fôlego sobre a história do cinema Quebequense e o cotejo improvável (ou nem tanto) de Ônibus 174, de José Padilha, com Duelo de Titãs, de King Vidor. Confira a lista completa abaixo.
Boa leitura, nos acompanhem em Ouro Preto e falem conosco pelos emails, blog, ou comunidade no Orkut. Abraços,
Rafael Ciccarini
Editor
Textos da Edição:
Close: Tudo Bem, Eu Te Amo e Eu sei que vou te amar: Arnaldo Jabor e a trilogia do apartamento, por Mariana Souto.
Story Line: Trem 174 (ou Duelo sem Titãs), por Leo Cunha.
Cinetoscópio: Olhos de Serpente: a sociedade do espetáculo sob as lentes de Brian de Palma, por Leonardo Amaral.
Fora de Quadro: Especial: O Cinema do Quebec (partes 1 a 5 - dos anos 1930 a 1950) e Cinema no Rio - São Romão, por Nísio Teixeira.
Plano-Seqüência: Descobrimento do Brasil, de Humberto Mauro – Diálogos de um abismo de 70 ou 500 anos e Speed Racer, por Gabriel Martins.
Raccord: Um Beijo Roubado ou um passeio pelo cinema de Wong Kar-Wai, por Ursula Rösele.
Corte Seco: Speed Racer, Os Idiotas e os limites do artifício, por João Toledo.
Contra-Plongée: Eraserhead e os pesadelos de David Lynch, por Marcelo Miranda.