por Rafael Ciccarini

Leia aqui todos os editoriais e outros textos escritos por nosso editor, Rafael Ciccarini.

Ainda sob o efeito da recente edição do Fórum.doc, que se dá tanto do ponto de vista da maratona diária de sessões, textos e discussões, quanto do impacto que vários dos cineastas e seus respectivos filmes ali apresentados causaram nas sensibilidades estéticas e críticas da redação da revista e os projetos pessoais de cada um dos que faz esse site (mestrados, filmes, curadorias, roteiros, viagens), chegamos a esta 15ª edição - que vem praticamente junto com o fim de 2007 - muito felizes com o ano que tivemos, mas ainda mais entusiasmados com o que queremos realizar e construir para o próximo e os seguintes.

Sendo assim, é muito recompensador fechar o ano com uma edição tão significativa do que é este espaço: plural, imersiva e apaixonada. Mas antes, ainda em relação ao Fórum, especialmente reverberam os nomes de Pedro Costa e Joaquim Pedro de Andrade (que ganharam retrospectivas completas e diversos textos em nossa cobertura), além dos filmes de Robert Kramer (capa) e Avi Mograbi – que, aliás, ganham texto na presente edição. Sem mais delongas ou retrospectivas sentimentalistas do ano que finda - visto que em breve faremos um ano de revista e, aí sim, vocês verão, a data ganhará o relevo que acreditamos ela merece ter, passemos aos textos.

Comecemos pelo já citado cinema de Robert Kramer, que ganha, em texto de Ursula Rösele (Raccord), espaço para que tentemos começar a compreender seus múltiplos caminhos de percepção e significação em obras que há tempo solicitam olhares mais nuançados e atentos que hoje não são facilmente encontráveis, no Brasil, fora da reflexão acadêmica. Analisa, ainda em sua coluna, O Passado, novo trabalho de Hector Babenco. Também Nísio Teixeira (Fora de Quadro) traz seu olhar sobre aquela que é das obras mais formalmente instigantes do cinema contemporâneo: Serras da Desordem, de Andrea Tonacci, que finalmente estreou nos cinemas nacionais e que há tempos vem sendo objeto de apaixonado culto e estudo por grande parte da comunidade crítica, cinéfila e acadêmica nacional. Além disso, Teixeira continua sua saga pelo Rio São Francisco, trazendo a segunda parte de sua experiência no projeto Cinema no Rio.

Ainda no cinema contemporâneo, há textos sobre dois nomes tão relevantes quanto diversos: Gabriel Martins (Plano-Sequência) analisa o cinema de Bong Joon-ho, mais um cineasta coreano cujo cinema vem encantando e intrigando na atualidade, a partir de O Hospedeiro e Memórias de Um Assassino, dois de seus principais e mais cultuados filmes. Já Marcelo Miranda (Contra-Plongée) aproxima o cinema de James Gray, mais especificamente o recente e contundente Os Donos da Noite, ao universo de Clint Eastwood, nome lapidar do novo cinema clássico americano. Também, o recente Questão de Vida, ganha análise de Mariana Souto (Close), que problematiza sua estrutura episódica à luz de vários outros filmes recentes que também têm na fragmentação narrativa estratégia primordial.

Também há Leonardo Amaral (Cinetoscópio), que seguindo em sua saga pelo cinema italiano, aborda agora o decisivo cinema de Gillo Pontecorvo, cuja complexa e fascinante forma de olhar para os processos políticos e históricos ainda faz de seus filmes obras não só admiráveis como extremamente contemporâneas. E por fim, temos João Toledo (Corte Seco) que prossegue analisando a riquíssima produção contemporânea de curtas-metragens brasileiros: desta vez se debruça sobre os filmes da dupla Marco Dutra e Juliana Rojas, que recentemente estivaram com um de seus curtas no festival de Cannes.

Pois bem, passeiem à vontade e divirtam-se. Seguiremos nos preparando para as surpresas que estamos planejando para os leitores num futuro bem próximo e para os muito desafios que, ainda bem, se colocam e ainda irão se apresentar pela frente. Abraços e até daqui a pouco.

 

Rafael Ciccarini - Editor