
por Rafael Ciccarini
Leia aqui todos os editoriais e outros textos escritos por nosso editor, Rafael Ciccarini.
Edição 19 – Entre filmes, surpresas e tufões
Talvez uma das maneiras de falar do que tem sido a trajetória de Filmes Polvo seja falar de belas e constantes surpresas que vão se sucedendo em meio a esta nossa peculiar dialética entre trabalho e paixão. Sendo assim, e sem delongas, é com imenso prazer que anunciamos a cobertura do Festival de Cannes 2008 , para o qual a revista foi credenciada e que será realizada pelo amigo, crítico e cineasta Leonardo Sette, inaugurando uma bela parceria que certamente se estenderá pelos anos, mostras e filmes.
O leitor poderá conferir textos diários na seção Cobertura e também um diário de cobertura em nosso blog. Filmes Polvo orgulhosamente se junta à Revista Cinética e à Contracampo, que também estarão em Cannes, confirmando a vitalidade dessa cena crítica contemporânea e com isso oferecendo ao leitor não apenas o habitual noticiário de variedades, mas um considerável panorama crítico e analítico do que acontece no maior festival de cinema do mundo.
Pois bem. Esta edição 19 está especialmente variada e traz diversas novidades, ao mesmo tempo em que também tenta dar conta de um significativo abalo estético, um furacão, que, felizmente, não apenas passou como se instalou na redação da revista, este paroxismo da intensidade em forma de imagem e som que é o cinema de John Cassavetes. Mas antes dele, ao corpo da edição.
Começando por uma significativa novidade, que, esperamos, se torne rotina: textos que lidam com séries de televisão, procurando adentrar seus mecanismos, pressupostos e tentando iluminar suas estratégias de construção narrativa e as peculiaridades dessa dramaturgia que, se guarda vários paralelos com a construção cinematográfica, também demanda variados e específicos recursos de relação com o público. Nesta edição, são abordadas as séries Lost, em texto de Gabriel Martins na coluna Plano Seqüência e House, em abordagem de Nísio Teixeira presente em Fora de Quadro.
Aliás, ainda em sua coluna, reforçando a intensa pluralidade desta edição, Nísio traz texto sobre a Mostra: Colateral 2 – Quando a arte olha o cinema, que teve lugar recentemente em São Paulo e que busca toda uma nova forma da experiência artístico-cinematográfica (ou ambas? A conferir). E ainda, haja fôlego, continua sua saga pelo projeto Cinema no Rio, que aqui entra em sua sexta parte. Prosseguindo, o leitor encontrará, em Story Line, de Leo Cunha, texto em que relaciona cinema e esportes, encontrando diversos e instigantes pontos de reflexão sobre linguagem, narrativa e espacialidade.
Entre os filmes do circuito, como habitual, diversos textos: Mariana Souto, em Close, aborda Chega de Saudade, segundo longa de Laís Bodansky, tanto em suas articulações próprias quanto em seus nem sempre óbvios diálogos com Bicho de Sete Cabeças. Já em Raccord, Ursula Rösele discute Apenas uma Vez, de John Carney, produção independente irlandesa cujas particulares articulações ganham aqui oportuna discussão. E também Não Estou Lá, de Todd Haynes e Shine a Light, de Martin Scorsese, ganham – ou, melhor, têm sua luz própria reforçada -, em texto de Leonardo Amaral publicado em Cinetoscópio.
E, enfim, Cassavetes. Realizamos, pouco tempo atrás, cobertura da Mostra: Cinema, Corpo, Cassavetes, cujo necessário mergulho crítico em cinco de seus filmes fundamentais, ao contrário de amainar as mentes e paixões da revista, acabou por exigir um novo mergulho, que aqui vem em três textos cujos títulos: “John Cassavetes e a cumplicidade no constrangimento”, de Marcelo Miranda (Contra Plongée), “Cassavetes: a precisão do descontrole”, de João Toledo (Corte Seco) e “Cassavetes: câmera e corpo pelos quais emana sentimento”, de Leonardo Amaral (Cinetoscópio) dão boa idéia das formas de abordagem e nuances analíticas que neles poderão ser encontrados. Fechando esta edição, João Toledo retoma sua imersão no universo da crítica cinematográfica, na continuação de texto iniciado na edição passada.
É isso, amigos. Divirtam-se, fiquem à vontade e, caso queiram, conversem conosco pelo nosso blog, pelos e-mails e também pela nossa comunidade do Orkut, que anda cada vez mais movimentada. E confiram, claro, nossa cobertura do Festival de Cannes 2008, que, esperamos, seja a primeira de várias incursões tentaculares mundo afora: é preciso ir aonde o cinema está. Abraços,
Rafael Ciccarini
Editor – Filmes Polvo