
por Rafael Ciccarini
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1ª Mostra Filmes Polvo de Cinema e Crítica, um ano de revista, novo visual do site, novo redator, novas sessões, apresentação da edição especial: eis um momento de tal forma especial para nós que, independente de quantas palavras forem ditas nesse editorial, não seria minimamente possível transmitir, aqui, nosso estado atual, misto de satisfação plena, espanto, alegria, exaustão, emoção e, sobretudo, de amor.
Não há, no limite, outro motivo para tudo isso, para a entrega apaixonada à vivência compartilhada de um sonho, para a militância em favor de uma causa tão difícil de quantificar e ao mesmo tempo tão forte dentro de cada um de nós, uma causa que não se quer verdadeira, pelo contrário, alimenta-se da impossibilidade da verdade, do prazer errático de sua busca. Viver cinema é viver o erro e amar o erro, nesse sentido, é amar talvez a condição essencial de nossa existência.
Como vocês lerão nesta edição que temos o prazer de apresentar, a crítica de cinema traz consigo e convive em meio a uma série de idéias, pressupostos, possibilidades, impossibilidades, contradições, encantamentos, ambigüidades e paixões. Tal como o próprio exercício do fazer cinematográfico. Estariam, pois, os dois mais próximos do que se supõe? É o que veremos discutido em vários dos presentes ensaios e também nesses quatro dias em que, temos certeza, viver-se-á cinema intensamente naquela sala batizada com o nome do notável pioneiro que certa vez uniu cinema e cachoeira para que nunca mais possamos conseguir separá-los.
Será, pois, na sala Humberto Mauro em que nos encontraremos com nossos colegas e amigos e mestres de ontem e hoje, além de nos encontrarmos, também, com nossos cúmplices de revista, imersão e de paixão: os leitores. Não será aqui, portanto, nesse espaço algo institucional que é o espaço de um editorial (ainda que este seja subvertido por esta poesia meio torta, mais tentativa que êxito, mais percurso que destino), que iluminaremos esses assuntos. O que desejamos aqui, amigos, é renovar esse compromisso tácito com nós mesmos, é agradecer e muito por esse ano lindo, cheio, contraditório, surpreendente e absolutamente pleno de vida e aventura.
Há, como verão, diversas novidades. A revista está mais organizada, nossos arquivos sistematizados, links apontando para lugares e caminhos que convidamos nossos leitores a percorrer e há, também, o tão famoso e conturbado quadro e cotações, onde polvinhos sempre simpáticos oferecem impressões assumidamente superficiais do que os nossos redatores andam pensando dos filmes em cartaz. Uma brincadeira, quase. Mas quase. Veremos.
E como se não bastasse, festejamos a entrada de Leonardo Cunha, que vem tornar novamente completa nossa estrutura tentacular, que volta a contar com oito polvos. Escritor, pesquisador e professor, Leo Cunha vem coroar esse momento especial de Filmes Polvo e nos ajudar a construir um segundo ano ainda mais fascinante e especial.
Bom... é isso. Percorram as colunas, as sessões, imirjam conosco nesse mergulho ao universo da reflexão e nos digam o que pensaram disso tudo pelo nosso contato. Como dito, esta é uma edição especial dedicada ao universo temático de nossa Mostra, onde encontrarão desde textos mais pessoais sobre o exercício da crítica cinematográfica, ou ensaios de pegada mais fortemente teórica até imersões na obra de críticos-cineastas com François Truffaut e também passeios por territórios de Rogério Sganzerla e Jairo Ferreira.
Um grande e a carinhoso abraço a todos vocês e fiquem à vontade; da nossa parte dizemos que o que houve é só um estímulo para o que sempre virá. Estamos e estaremos sempre no durante, sempre entusiasmados e dispostos a continuar trilhando o caminho e também construindo outros.