por Rafael Ciccarini

Leia aqui todos os editoriais e outros textos escritos por nosso editor, Rafael Ciccarini.

Eis que chega nossa segunda edição. De saída cabe afirmar que têm razão os escritores, cineastas e músicos quando dizem que os seus respectivos segundos livros, filmes e discos são ou foram sempre mais difíceis de serem concebidos e realizados que os primeiros. Depois de tudo pronto, site configurado e textos no ar, podemos dizer que é essa a sensação que fica. Porém, por outro lado, há outro clichê que talvez seja igualmente verdadeiro: o prazer e a satisfação em se ver algo pronto é proporcional à dificuldade e ao esforço empreendidos neste mesmo algo.

E é assim que verdadeiramente nos sentimos no momento: aliviados e felizes por este segundo passo, que na verdade é quase um terceiro, visto que entre a edição de estréia e esta que aqui se apresenta tivemos a 10ª Mostra de Cinema de Tiradentes, cuja cobertura representou sem sombra de dúvida um marco para um projeto ainda tão recente. Saímos de lá profundamente satisfeitos e orgulhosos, mas conscientes da envergadura dos desafios que se apresentavam e que, neste momento, continuam se apresentando. Aliás, àqueles que não acompanharam nossa cobertura, nossos textos sobre todos os longas, curtas e os diferentes eventos lá ocorridos se encontram em nossa (link) página da cobertura e também em nosso (link) blog, onde também poderão ter contato toda sorte de desvarios que já passaram e passarão pela cabeça de quaisquer de nossos peculiares redatores.

Mas vamos aos filmes: vocês encontrarão oito novos textos, que, confirmando a intenção inicial e a vocação que desponta em Filmes Polvo, são bastante variados em estilo e temática e abordam desde vários dos filmes atualmente em cartaz como clássicos irrefutáveis tal qual este que compõe a foto ao lado e que aparece no texto de Mariana Souto, na coluna Close, em que contrasta o recente “À Procura da Felicidade” com a obra máxima de De Sica: “Ladrões de Bicicletas”. Outro cânone que aparece por aqui é Jean-Luc Godard, cujo seminal “Acossado” é analisado estética e conceitualmente em Grande Angular, de Janderson Lima.

Dos lançamentos recentes, há aqui mais cinco exemplos que acabam por traçar um panorama de muito do que aí se apresenta nas salas: Ursula Rösele problematiza, em Raccord, a adaptação cinematográfica assinada por Tom Tykwer do celebrado “O Perfume” de Patrick Süskind, que por aqui ganhou o padroníssimo subtítulo de A História de Um Assassino. Também “Fonte da Vida” e seu autor, Darren Aronofsky são postos à prova por Leonardo Amaral em Cinetoscópio. E se, ao que parece, Daren e Tykwer não saíram propriamente ilesos, melhor sorte não teve Alejandro González Iñarritu e seu “Babel”, que foram alvo da impiedosa verve irônica de Matheus Cajaíba em Back-Projection.

Outro autor colocado sob perspectiva foi Mel Gibson, cuja análise de Apocalypto, presente em Plano Seqüência, de Gabriel Martins, pôs em tensão os aspectos formais e técnicos de seu cinema com o discurso político-moral que o sustenta. Ainda há a análise, dessa vez um pouco mais positiva, de “Mais Estranho Que a Ficção” realizada por Douglas Lisboa e que pode ser encontrada em Cinema Revolução. Fechando esta edição, João Paulo, em Travelling, apresenta sua visão sobre a controversa biografia cinematográfica “Dois Filhos de Francisco”, o grande blockbuster da ‘retomada’.

E é isso. Aqueles que quiserem entrar em contato podem fazê-lo de três formas: mandando email para contato@filmespolvo.com.br, através de nossa sessão Contato e também através de nossos e-mails pessoais, que se encontram em nossa sessão Equipe, dentro do perfil de cada integrante. Muito ainda está por vir e já na terceira edição teremos novidades significativas. A idéia é que sempre seja assim, que nunca deixemos de tentar fazer do Filmes Polvo um espaço mais amplo, funcional e principalmente, que ofereça o melhor que estiver ao nosso alcance. Sabemos das dificuldades e da gigantesca do caminho, mas dado esse segundo passo, estamos mais dispostos do que nunca a percorrê-lo. Até...