por Rafael Ciccarini

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E chega nossa terceira edição, num contexto onde ainda reverbera o Oscar finalmente concedido a Martin Scorsese pelo seu Os Infiltrados. Sobre isso, fazemos questão de manifestar nossa visão: Scorsese é maior que a Academia e o Oscar que lhe foi dado tem mais importância para a própria (como amenização do absurdo) que para um dos maiores cineastas vivos, que fez obras-primas várias e definitivas, tais quais Taxi Driver e Touro Indomável, para nos restringirmos aos consensos plenos.

Bem... e sobre o filme, que Os Infiltrados não é seu melhor trabalho (embora seja seu maior sucesso comercial até hoje) ninguém discorda, mas a redação é quase unânime quanto à sua posição de superioridade dentre os cinco que ali concorriam, com o mestre Clint Eastwood e seu Iwo Jima, em honrosa segunda posição. Pequena Miss Sunshine e A Rainha dividem as opiniões e paixões dos redatores, enquanto Babel amarga com folga o posto de mais fraco do quinteto.

Temos aqui uma edição mais uma vez marcada pelo pluralismo de temas e estilos, que vão do analítico ao confessional, passando pelo político, o sarcástico e o ensaístico. A idéia é que o leitor vá se habituando ao universo de cada espaço e seu respectivo autor: suas recorrências, interesses, coerências, paixões e contradições. E desse jogo entre diferenças e semelhanças, familiaridade e estranhamento, empatia e tensão, emerge o espaço pelo qual o site foi criado: o de ampliação da experiência cinematográfica como um todo.

Por exemplo, sabemos que o diálogo Ingmar Bergman/Woody Allen sempre desafiou e instigou cinéfilos e analistas pela história do cinema afora. Aqui, em Raccord, Ursula Rösele se debruça sobre dois de seus grandes filmes: Gritos e Sussurros (de Bergman) e Interiores (de Allen), num texto que transpira verdade cinéfila ao tentar analisá-los e senti-los em seus encontros, diferenças e diversas possibilidades de apreensão crítica e pessoal.

Já Gabriel Martins, em Plano-Seqüência, defende e desenvolve seu conceito de cinema suficiente, que surge de uma reflexão que parte do seminal Dogma 95 para discutir as novas tecnologias do registro audiovisual e as possibilidades do cinema digital no contexto do cinema brasileiro contemporâneo. Também, na sessão Curtas , analisa os curtas-metragens do crítico-realizador Kleber Mendonça, de Pernambuco, cujo CinemaScópio, aliás, fazemos questão de recomendar.

Dos filmes em cartaz, temos Douglas Lisboa que, em análise abertamente engajada do controverso Borat, mostra que a escolha do nome do seu espaço, Cinema Revolução, não foi meramente retórica. Igualmente polêmico e controverso é Turistas, cuja análise de Janderson em Grande Angular tenta lançar um olhar um pouco mais abrangente sobre esse, que se mostra muito mais interessante como fenômeno que como filme.

Ainda nos filmes recentes, temos Leonardo Amaral discutindo em Cinetoscópio o cinema clássico (personificado na figura de John Ford) no cinema contemporâneo a partir do recente A Conquista da Honra, de Clint Eastwood e o texto de Matheus Cajaíba em Back Projection que traz uma reflexão crítica (e autocrítica) sobre a relação nem sempre harmoniosa entre os cinéfilos e os críticos, tendo como exemplo Amantes Constantes, glorificado por grande parte de analistas e dono de sua profunda e peculiar antipatia.

Finalizando, em Travelling, João Paulo discute a relação nem sempre harmoniosa entre futebol e seu registro cinematográfico, além de analisar aspectos de A Copa, primeiro longa-metragem da história do Butão. E por fim, em Close, Mariana Souto investiga A Vida Marinha com Steve Zissou encontrando nele aquilo que, em sua forma de ver, coloca o cinema de Wes Anderson num patamar único pela forma com que concebe e principalmente estiliza seus filmes visual e narrativamente.

É isso. Percorram os textos à vontade e conversem conosco em Contato. Em breve entrarão no ar algumas novidades como nosso Quadro de Cotações, onde todos os filmes em cartaz ganharão rápida avaliação de nossos redatores, para que o leitor conheça, ainda que superficialmente, a visão geral da redação sobre o que aí está posto. Além disso, confiram também o espaço da editoria, onde estarão, além de todos os nossos editoriais, análises e textos publicados pelo editor e dêem uma olhada em nossa sessão Curtas, que foi incrementada com resenhas de mais de trinta produções vistas pela equipe na 10ª Mostra de Tiradentes. Abraços, continuem acompanhando e até mais...