por Rafael Ciccarini

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As coisas andam movimentadas no meio cinematográfico e crítico: tivemos o 1º Prêmio Jairo Ferreira da Crítica Independente, organizado por várias de nossas revistas colegas e devidamente reportado em nosso blog. Também acontece nesse momento o É Tudo Verdade, principal festival brasileiro dedicado ao documentário, cuja cobertura pode ser encontrada na Cinética e na Cinequanon. Ano que vem trabalharemos para lá estarmos e trazermos a cobertura desse evento fundamental.

Sem contar as várias polêmicas em curso, protagonizadas pelos filmes Borat - que até agora rende as mais diferentes visões e interpretações e mais recentemente pelo lançamento de O Cheiro do Ralo, que dividiu consideravelmente a crítica. Aliás, vale ressaltar que vocês encontrarão duas abordagens bem diferentes do filme, ainda que em última análise positivas. Outro ‘evento’ que anda dando o que falar – e não podia deixar de ser diferente - é a (tardia, como habitual) chegada de um novo filme de Woody Allen aos cinemas.

Claro que Filmes Polvo não deixaria de se manifestar com vigor sobre o fato: abrindo nossa quarta edição, temos dois textos abordando Scoop - O Grande Furo. Em Raccord, Ursula Rösele discute o filme à luz de outros dois de Allen: Escorpião de Jade e Édipo Arrasado (presente em Contos de Nova Iorque), num texto que dá ao filme a nuance analítica que tantas vezes sentimos falta em várias abordagens de suas obras, especialmente as de veia cômica mais acentuada. Já em Plano Seqüência, Gabriel Martins passeia por Scoop tendo como referencial Misterioso Assassinato em Manhattan e a forma com que transborda no filme o prazer cinematográfico de quem o fez e – por conseguinte – daqueles que o assistem.

Falando em polêmica, temos Matheus Cajaíba, que, em Back-Projection, aborda (ou seria melhor destroça?) o peculiar A Pele, de Steven Shainberg, num texto que talvez personifique (no bom sentido) o estilo da coluna e de quem a assina. Também, em Close, Mariana Souto dá sua visão sobre mais um exemplar do recente período de filmes controversos: Pecados Íntimos, de Todd Field. Se em comparação com o ocorrido com A Pele, o filme de Field saiu-se ileso da análise, talvez o mesmo não se possa dizer da autora que o analisou.

E perdoem a redundância, mas de fato a palavra da 4ª edição é polêmica. Como dizer outra coisa se além dos textos já apresentados temos, em Cinema Revolução, Douglas Lisboa indiretamente retomando Glauber e defendendo a importância da utopia, proclamando uma revolução no cinema e na cultura brasileiras enquanto, de outro lado, Leonardo Amaral, em Cinetoscópio, critica duramente o viés excessivamente politizado de interpretação e análise de obras cinematográficas passadas e recentes, apontando para o perigo do reducionismo? Eis a democracia plena em Filmes Polvo...

Amenizando (mas nem tanto) o tom positivamente corrosivo que marca esta 4ª edição, temos Janderson Lima, em Grande Angular, trazendo sua leitura de Pequena Miss Sunshine a partir da análise de seus personagens e do objeto e alcance da crítica que o filme, a seu ver, intenciona fazer. Por fim, temos novamente Gabriel Martins falando, em Plano Seqüência, dos filmes de Richard Linklater e a peculiar e instigante variedade estética e temática que vem marcando sua carreira.

E é isso. Com muito trabalho e obstinação a revista vai seguindo o seu caminho, ciente de ter ainda um mundo inteiro a percorrer. Mas é um percurso tanto longo quanto prazeroso, especialmente com tanta gente especial ao nosso lado. Continuem acompanhando e falando conosco pelos nossos e-mails.

Um grande abraço!