por Rafael Ciccarini

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Eis que chegamos à 7ª Edição e ao mesmo tempo em que estamos felizes e bastante entusiasmados com o caminho que nossa Revista vem percorrendo e com as idéias e projetos para um futuro bem próximo, além de também ansiosos para apresentar aos leitores os textos preparados para esta edição, lamentamos profundamente a primeira perda de Filmes Polvo desde a sua estréia.

E fazemos questão de, neste editorial, agradecer ao colega e grande amigo João Paulo Teixeira pelo período em que esteve conosco, dividindo alegrias, apreensões e compartilhando conosco a vontade de cada vez mais fazermos jus à paixão que nutrimos por essa arte tão fascinante. Não apenas seus textos aqui permanecerão, como seu espírito jovial, amigo, terno e sincero, que marcaram seu convívio e iluminaram o cotidiano da Revista, sempre estarão conosco. Fica aqui, além do desejo de sucesso e plenitude em todas as suas empreitadas, a certeza de que se trata muito menos de um adeus e muito mais de um até logo.

Enquanto isso, o contexto cinematográfico é agitado... em BH, sede de Filmes Polvo, temos o 12º Prêmio Sesc-Sated, do Sindicato dos Artistas e Técnicos de Minas Gerais, que este ano incluiu o Cinema em sua premiação, que ocorre dia 21 de Maio no Grande Teatro do Palácio das Artes e que tem indicados vários longas e curtas exibidos na 10ª Mostra de Tiradentes. Divulgaremos, em nosso blog, o resultado tão logo ele seja anunciado. Ao mesmo tempo, na França, está em curso o 60ª Festival de Cannes, mais prestigiado festival de cinema do mundo e que conta com cobertura de nossa amiga Revista Cinética. Não deixem de conferir. Esperamos que num tempo não muito longo possamos ter Polvos espalhados pelas terras francesas e outros festivais fundamentais pelo mundo.

Mas vamos aos textos: seleção ousada e eclética, marcada pela revisita a clássicos decisivos em reflexões temáticas e comparativas. Leonardo Amaral, por exemplo, em Cinetoscópio, reflete aspectos do pensamento de Andre Bazin, talvez o maior teórico dentre todos, à luz dos filmes da fase americana do mestre Fritz Lang, que muitas vezes são obscurecidos pela grande importância de seus filmes alemães. Já Ursula Rösele, em Raccord, aborda a carreira de um dos maiores gênios cinematográficos dentre todos: Orson Welles, sua complexa relação com a indústria, a mutilação de seus filmes pós-Kane (tendo Soberba como exemplo marcante), os muitos paradoxos que marcaram sua relação com o Cinema.

Welles que, por sinal, quase filmou, antes de Cidadão Kane, sua adaptação para o livro Coração das Trevas, de Joseph Conrad, tendo sido o filme abortado em função do alto orçamento que o mesmo demandava, mesmo depois de uma detalhada pré-produção. Eis que temos aqui, em Back-Projection, Matheus Cajaíba analisando Apocalypse Now, a adaptação que Francis Ford Coppola realizou deste mesmo livro de Conrad, quarenta anos depois da tentativa de Welles. Estão em jogo aqui o paradoxo da guerra, a violência, o horror, a morte. E é justamente a morte e suas diversas representações e abordagens cinematográficas o tema do texto que Douglas Lisboa traz em seu Cinema Revolução, que aborda desde o lendário Di-Glauber, de Glauber Rocha, até Gritos e Sussurros, obra-prima de Ingmar Bergman que volta e meia retorna aos textos da Revista.

Por fim, dois textos comparativos de universo temático semelhante: Gabriel Martins, em Plano-sequência, mergulha nas representações estético-simbólicas do amor ao aproximar o cultuado Amor à Flor da Pele, de Wong Kar-wai ao peculiar e não menos complexo Embriagado de Amor, de Paul Thomas Anderson, enquanto Mariana Souto, em Close, aproxima o recente ABC do Amor a Annie Hall, obra fundamental da carreira de Woody Allen. Aqui, como veremos, temos o amor num terreno onde são tênues os limites entre o sublime e o patético.

E é isso. Como habitual, sintam-se à vontade para dialogar conosco. Teremos meses agitados pela frente, com eventos e novidades como a 2ª Mostra de Cinema de Ouro Preto, o Indie 2007 e algumas novidades que virão na Revista. Aliás, já para a 8ª edição teremos surpresas. Um abraço a todos e, mais uma vez, os desejos de felicidades e até logo ao amigo João Paulo.