por Ursula Rösele

Operação Valquíria e O Leitor ou Um amontoado de sensações causadas pelo Cinema, pelo Holocausto e pelas suas tentativas de retratação aos que aqui permanecem

Palavras como “Hitler”, “judeu”, “terra”, “irracional”? O que fazer num filme, com essas imagens, quando elas não podem estar entre aspas? (Serge Daney)

 

1 - Dachau

dachau

 

Arbeit Macht Frei é a frase que ainda permanece na porta não destruída do – hoje – museu de Dachau, primeiro campo de concentração da Alemanha. Sua tradução: “o trabalho liberta”. Marcado já por uma estrondosa ironia, pensar o Holocausto, seja em termos de retratação artística, seja em termos históricos, faz-nos sentir ridículos (e nós, os de hoje também, não apenas os daquela época) ao pensarmos na reflexão de André Bazin sobre o lendário O Grande Ditador (Chaplin): “O espantoso é que ninguém enxergou a impostura, ou pelo menos a levou a sério. Carlitos, todavia, não se enganou. Deve ter imediatamente sentido no lábio superior uma estranha sensação, algo comparável ao rapto de nossa tíbia por uma criatura da quarta dimensão nos filmes de Jean Painlevé”.

 

Este é um texto cujo título já denuncia uma espécie de “amontoado”, ou seja, tentativas, sejam elas felizes ou não, pessoais ou não, de pensar um pouco o cinema quando observa/rememora/remonta um evento (?), para alguns, impossível de retratar. No ano de 2001 eu estive na Alemanha a visitar meus pais (resumo: pai alemão, mãe brasileira). Nesses ímpetos “turísticos”, fomos a Dachau, conhecer o tal museu. Confesso que foi das piores – se não “a” – experiências da minha vida. E curioso, para além do todo que continha ali, o susto foi com aqueles que me acompanhavam: pai e avó (alemães).

 

Quando da chegada dos americanos, o campo de Dachau foi destruído e reconstruído anos depois para transformar-se em museu. Não é hoje a réplica perfeita do que deve ter sido, mas guarda um dos dormitórios, o crematório, um museu no estilo “clássico” com modelos das roupas usadas por eles, listas de escritores cujos livros foram queimados na época e fotografias diversas com descrições em inglês e alemão (se me lembro bem), além de uma lista mórbida de todos os campos de concentração da Segunda Guerra, que não coube em um quadro da fotografia que tentei tirar. Decidi iniciar este texto por Dachau e não pelos filmes em questão, pois ambos os filmes me incomodaram em alguns aspectos e – como tantos outros - me instigaram determinados pensamentos também, além da busca por releituras do próprio Operação Valquíria e de filmes que têm como tema o Holocausto.

 

A entrada de Dachau dá vista para um mapa de todo o museu, um campo vasto, bem vasto (vazio, creio eu, para retratar o espaço antes preenchido por todos os dormitórios não reconstruídos) e um muro com muito arame farpado em cima, mas imagino reduzido em altura. Eu não falo alemão (entendo um pouco), o que pode tornar esse testemunho uma espécie de fraude, mas acho que há determinadas situações que não necessitam de palavras. Havia uma guia que falava inglês, mas não a acompanhamos, somente ouvi uma parte de sua descrição do crematório. Tive uma reação extremamente clicheresca (ou humana, como preferirem) e, ao pisar ali, ouvir aquele silêncio, olhar para aquela temível porta de ferro, caí num choro convulsivo e fiquei em estado de choque por muitos dias depois dali.

 

Aquele campo existiu, pessoas morreram ali, assassinos caminharam por onde eu passei e quaisquer frases poético-impactantes que eu queira criar. Mas o susto estava no meu pai, semi-inerte e em minha avó, que me olhava com uma indignação que parecia dizer “quem você pensa que é, vinda lá de onde veio, para reagir emocionalmente a algo que ocorreu em MEU país?”. Fato é que não lembro quanto tempo separa Dachau da casa de meu pai, mas do silêncio sepulcral incomodamente preenchido pelas minhas lágrimas. Quando nos separamos de minha avó, meu pai caiu no choro e não disse absolutamente nada sobre o ocorrido. Não se falou muito depois desse evento e este foi o último ano em que vi minha avó. Voltei ao Brasil e somente retornei à Alemanha em 2006, sendo que ela havia falecido em 2004. Nessa ocasião resolvi abordar o tema e tive como resposta um quase nada: a única coisa que meu pai me contou foi que durante toda a vida dele, ele era proibido de mencionar Hitler ou a Segunda Guerra Mundial.

 

Bem, afora questões pessoais, estive em um campo de concentração e acompanhei a reação (ou não-reação) de dois nativos que por acaso são da minha família, etc; eis que entra o ponto central do que esses filmes desencadearam em mim: a questão da culpa ou total incapacidade de percepção da mesma e as diversas maneiras pelas quais o cinema procura não eternizar (o já eterno-estigma, infelizmente), mas problematizar, retratar, guardar o Holocausto. Vem-me à mente mais uma reflexão, desta vez de Zygmunt Bauman: “Nesse mundo, a obediência era racional, a racionalidade era obediência. (...) Tendo reduzido a vida humana ao cálculo da autopreservação, esta racionalidade roubava à vida humana sua humanidade”.

 

2 – Operação Valquíria (americano, alemão, austríaco – não necessariamente nesta ordem)

Pabst

 

Há poucos dias Marcelo Miranda problematizou a vinda de Tom Cruise ao Brasil (aqui) para lançar o filme Operação Valquíria, de Bryan Singer. Acredito não ter sido muito mencionado (em seu lançamento) o fato de ele advir de outros três filmes, um deles de G. W. Pabst, Aconteceu em 20 de Julho (1955), outro de Lawrence Schiller (O Plano para Matar Hitler – 1990) e o último de Dr. Jo Baier (2004), homônimo ao remake de Bryan Singer.  

 

Como fiz um trajeto decrescente, do filme de Singer ao de Pabst (sem passar pelo de Schiller), talvez tenham me ocorrido sentimentos também inversos, caso eu já tivesse a bagagem dos filmes anteriores ao passar para o atual. Fato é que em poucas palavras, a sensação que se tem é que Pabst realmente fez cinema (termo complexo neste caso, claro), com um respeito absoluto pela história, além de um cuidado com sua mise-en-scène, belíssima fotografia e consciência do que moveu este “fato real”. Dr. Jo Baier realizou o filme para a TV, mas isso não necessariamente implicou em sua construção muitos vícios típicos da televisão. O filme é certamente mais instigante que o de Singer e um pouco mais ingênuo que o de Pabst em alguns pontos do roteiro. Já o de Singer, como ele próprio disse em entrevista sobre Operação Valquíria, é um thriller sobre uma conspiração, sendo acompanhado por uma opinião no mínimo curiosa de Tom Cruise de que o objetivo do projeto era entreter.

 

Ok. Sem tentar entrar em pormenores da questão, Singer tem uma carreira pautada por thrillers, sejam eles de super-heróis - nos quais por natureza abrem-se exceções quaisquer para o verossímil – ou até uma outra tentativa de abordar o Holocausto com O Aprendiz, filme em que um garoto conhece seu vizinho e acaba por descobrir ser ele um ex-militar alemão que exterminou milhões de judeus e não sente nenhum remorso por isso. A questão é o velho risco de banalização que Singer assume – aparentemente – sem muita preocupação. Ao ver as três versões citadas, nota-se uma diferença cabal não somente do ponto de vista cinematográfico, mas de cuidado mesmo. No filme de Baier já temos como primeira cena a execução do protagonista, Stauffenberg (vivido por Tom Cruise no filme atual) e sua célebre frase “Vida longa para a sagrada Alemanha”. Já em Pabst, a construção rememora um pouco 12 Homens e uma Sentença (apesar deste ter sido feito depois), na qual logo em seu início temos uma visão contundente da Guerra (é o único dos três que mostra bombardeios e pessoas mortas nas ruas), um narrador onisciente que não participa da ação e muitos momentos nos quais os envolvidos no golpe discutem, analisam e ponderam diversas questões.  

 

Escolhas são escolhas e a função do texto não é entrar no mérito propriamente dito, mas problematizar uma discussão freqüente dessa banalização do Holocausto no cinema e de alegada condescendência com os alemães. Singer ainda coloca como inimigo de Hitler o famoso ator alemão Bruno Ganz, que interpreta o próprio ditador no filme A Queda – As Últimas Horas de Hitler. Pode-se compreender claramente de onde vêm tantas críticas severas a filmes como Operação Valquíria e O Leitor, por exemplo. Há uma preocupação excessiva com um algo além do Holocausto em si, que para a maioria dos críticos a esses filmes, é um absurdo por si só. Em Operação Valquíria (Singer), não temos uma construção sólida desse personagem que já aparece decidido a exterminar Hitler com suas próprias mãos e poucos aliados. No filme de Baier (é importante salientar) já sabemos que o protagonista irá morrer e o filme regressa ao ano de 1933, quando ele e a esposa observam Hitler em uma ópera (claro, de Wagner) absolutamente fascinados com sua figura. Ou seja, de uma maneira ou de outra, existe neste filme, assim como no de Pabst, uma preocupação em contextualizar os fatos ao invés de posicionar os personagens simplesmente como heróis indignados (que por sinal faziam parte das forças armadas do Nazismo) com uma situação àquela época já estendida há pelo menos cinco anos.

 

Esses filmes assumem um grande risco pois, de certa forma, espetaculosos ou não, estão ali para atestar a autenticidade de um evento e, ao fazê-lo, tornarem-no um registro. Independente de o filme assumir-se como ficção é inquestionável que ele está ali fazendo uma tentativa de ficcionalizar o que para a grande maioria é “inficcionável”. Como Bazin disse em seu texto sobre O Grande Ditador, o “riso não nos liberta de nosso envolvimento” , portanto, é importante a consciência de que o espetáculo (e a ficção) também não o fazem.

 

3 – Uma idéia de culpa, uma tentativa de redenção? O Leitor.

O Leitor

 

Depois de filmes como Billy Elliot e As Horas, Stephen Daldry dirige este já polêmico filme, O Leitor. Que, certamente, por carregar o peso de uma assassina do Holocausto, acaba por deixar de ser sobre este “leitor”, mas sobre a culpa que ele carrega por amar a assassina, sobre essa “não-culpa” dela e sobre nós, espectadores, que podemos (ou não) simpatizar com esta jogada narrativa que somente nos contará a verdadeira faceta desta mulher quando já estivermos de certa forma, querentes desse romance.

 

É um filme que vai a uma Alemanha de 1958 e que – assim como Operação Valquíria (Singer) – não mostra efetivamente nenhum judeu e coloca como protagonista uma pessoa que “sabe de”, mas não vivenciou (o garoto que se relaciona com a personagem de Kate Winslet) o Holocausto. É um filme desses de “pegada”, que investe no roteiro e na subversão de expectativa para alcançar uma espécie de catarse que tornam compreensíveis suas denominações de “revisionista” ou redutor de algo da dimensão do que foi o Holocausto. Não interessam os sentimentos ou o analfabetismo daquela mulher, visto que ela já cometera o erro fatal que a tornara “não-humanizável”. Talvez não na mesma dimensão, mas um sentimento já discutido à exaustão em A Queda – As Últimas Horas de Hitler.

 

Fica uma sensação de “filme que poderia ter sido”, sem a pretensão de dizer como sê-lo. Talvez um filme que, já assumidamente ficcional (se é que é possível), tratasse de verdade, a fundo, essa questão do pós-guerra, da culpa, do que fica para esta pessoa que – humana ou não – fez escolhas, tentou responder por elas e optou por ocultar um defeito para nós ínfimo diante da atrocidade que, passivamente, permitiu. Que fosse a fundo à hipocrisia dessas relações, pois a sensação que fica é que os segredos são de fatos tão imensos que jamais poderão ser desvendados. Ou, talvez, seja um eu pessoal querendo a resposta que não tive de minha própria família, quem sabe no cinema, este meio que não precisa mais ter medo para se expressar.

 

Existe também a possibilidade de darmos a ele um olhar mais atento e pensarmos em um ponto que está lá, mas acredito não tão contundente a ponto de ser percebido pela maioria (assumindo o risco de uma generalização infundada). Existe na personagem de Winslet o conhecimento de uma ação consciente, comandada por um chefe maior, que ela cumpriu, como não poderia deixar de ser. E acho que aí reside um “não-lugar” que o filme parece escolher não habitar, não imergir. Se temos uma personagem que olha para as outras rés sem emocionar-se e diz que sim, cumpriu uma ordem e não poderia descumpri-la, pois ordem – para além das questões morais que pode evocar – é ordem e não se discute, temos ali um interessante material para pensarmos de fato a pequeneza humana e a mediocridade que a leva a ignorar o peso de seu “cumprimento” para dar vazão a uma vergonha por um analfabetismo que a libertaria de uma prisão perpétua mas, e aí sim muito hipócrita, denunciaria um mal que a tornaria uma pessoa menor. Ora, levar 300 mulheres à morte já não era digno de vergonha? Para a personagem de Winslet, não. E a meu ver isso fica ali, incrustado, porém perdido num filme que não ousa imergir de fato nessa questão.

 

Será aquele suicídio uma percepção (importante enfatizar: tardia) de culpa ou uma não intenção de conviver com a única pessoa que descobriu sua “deficiência”?  Será que a sutileza do filme não pode ser vista como uma falha ou escapismo do que ele de fato ostenta? Porque se não se faz um documentário de denúncia, mas uma ficção sobre uma verdade incontestável, em qual esfera se condiciona a essência letal contida ali? Devemos nos perder na eterna retórica do “é possível fazer um filme de ficção sobre o Holocausto” ou problematizar os caminhos para os quais uma premissa como esta poderia ter tomado, os que ele tomou e como ele  é capaz de atingir e não atingir com uma mensagem? Se o evento histórico é imutável e o que há catalogado sobre ele permanecerá ainda com a morte de todos os sobreviventes, como o Cinema deve se portar diante desse fato?

 

Seria, portanto, o Leitor um filme genial por, no fundo, não tratar da culpa uma vez que ela inexiste ali – pelo menos em relação ao que presumivelmente causaria? Que personagem é aquela e será que ela de fato não tem nada a dizer? Ou ao pensar isso estamos assumindo uma reflexão além-filme que denota muito mais um desejo de – um filme que preferíamos que ele fosse -, que uma representação cinematográfica real e claramente perceptível ao grande público que enche as salas de cinema para ver um filme como este?

 

De toda maneira, sendo ou “não sido”, O Leitor é um filme que merece ser pensado, ao menos. Independente de suas falhas e excessos, faz parte de uma geração atualmente criticada de filmes que problematizam a questão do “outro lado”, daquele que participou ativamente não como vítima assumida, mas como agente, executor de extermínios por si só execráveis.

 

Se hoje temos uma situação de retrato cada vez mais distante da fidelidade e realidade, tendo em vista o já citado desaparecimento iminente daqueles que participaram do Holocausto de alguma maneira, há que se pensar o Cinema para além dessa idéia de “prisão revisionista”, desse medo absoluto de admitir que aquilo aconteceu e pode tornar a acontecer, que aquelas pessoas podem estar muito mais perto do que imaginamos. E se temos um Chaplin e um Lubitsch que olharam para Hitler sem este medo do escárnio e com a coragem de fazer pensar, por que evitar a tanto custo um olhar que nos coloque como potenciais errantes, assassinos e responsáveis?

 

4 – As tantas tentativas (e somente algumas delas)

 

Ainda que se pense o cinema como meio revolucionário, como manutenção da memória ou quaisquer denominações, sempre fica essa idéia já mencionada de que o Holocausto é algo irretratável. Idéia trabalhada intensamente em Shoah de Lanzmann, no qual ele recolhe depoimentos dos sobreviventes (os já quase lendários) do Holocausto que apenas contam suas experiências sem serem interrompidos por nenhuma imagem de arquivo ou o que seja. Todo choque está na imaginação dos que ouvem, numa questão que já é muito discutida: daqui a pouco tempo o Holocausto estará restrito a arquivos escritos e audiovisuais, pois poucos sobreviventes estão vivos e a maioria deles era criança na época da Segunda Guerra.

Klimov

 

Então ficam as questões éticas, políticas e filosóficas de como se deve abordar a Guerra, pensá-la sociologicamente, refletir sobre a posição ocupada pelo mundo contemporâneo e todos os afins tão conhecidos. O cinema, portanto, carrega esta chaga ou missão ou tortura de transpor em imagens e palavras esse tal “ser abominável” intransponível. E temos a oportunidade de assistir a filmes como Vá e Veja, cujo título já é por si só um mórbido convite a uma recriação cruel (e imaginamos fiel) da destruição moral e psíquica de uma criança que lá esteve. Ou uma verdade declarada como Noite e Neblina, de Alain Resnais, que se utiliza de imagens de arquivo (Memory of the Camps) e um off sensacionalmente irônico para com nossa condição falível, para chamar-nos à responsabilidade por um mundo ainda em movimento, ainda em iminência de situações como essas que parecem tão mais cômodas quando os créditos finais nos libertam delas.

 

A cineasta francesa Agnès Varda (há algumas tentativas de falar sobre ela aqui e aqui) chegou ao Holocausto através de uma exposição de arte da filha de uma sobrevivente (Ydessa, Les ours et etc), que – aficionada por ursos – coletou milhares de fotografias nas quais se pode ver um urso de pelúcia nelas e montou uma exposição no museu Haus Der Kunst em Munique (local onde Hitler fez diversos de seus discursos). Nessa tentativa de retratar um mundo “em que todos tinham um ursinho”, a artista Ydessa Hendeles nos traz à memória não somente a brilhante cena final de Vá e Veja (em que o garoto, já destruído pela guerra, atira em uma foto de Hitler que se transforma em uma espécie de retrocesso até chegarmos ao Hitler bebê), como uma verdade incontestável do ser humano: todos nós já fomos “inocentes”.    

Kubrick

 

Daí uma necessidade de pensarmos com cuidado essa questão do revisionismo, do retratar nazistas como seres humanos, sejam eles Hitler ou uma Kate Winslet que – “por dever cívico” – deixou exterminar 300 judias em um campo de concentração, mas era capaz de admirar uma obra literária e de amar. Ao não retratar não estamos correndo um sério risco de deixar para as gerações que ficam um distanciamento perigoso como se o acontecido nos fosse de fato tão intocável e incapaz do retorno? Talvez estejamos realmente defronte a uma espécie de recusa ao naturalismo, como se o monstruoso, se retratado como ser que foi, perderia – aos mais ingênuos – o peso do que representou para a humanidade.  Basta lembrarmo-nos da esplêndida cena final de Glória Feita de Sangue, na qual uma alemã é ridicularizada por um grupo de soldados em plena Guerra e, ao ser obrigada a cantar em alemão e com lágrimas nos olhos, eterniza para o Cinema um momento que – mesmo que ficcional – deveria de fato ser refletido.

 

 

“Porque não se trata de vencer Hitler (essa seria uma idéia paranóica e, apesar de tudo, banal), trata-se de vencê-lo cinematograficamente”. (Serge Daney)

 

Filmes Citados:

O Grande Ditador (The Great Dictator, 1940/Charles Chaplin)

Ser ou não Ser (To be or not to be, 1942/Ernst Lubitsch)

Aconteceu em 20 de Julho (Es geschah Am 20. Juli, 1955/Georg Wilhelm Pabst)

Noite e Neblina (Nuit et brouillard, 1955/Alain Resnais)

12 Homens e uma Sentença (12 Angry Men, 1957/Sidney Lumet)

Glória Feita de Sangue (Paths of Glory, 1957/Stanley Kubrick)

Vá e Veja (Idi i smotri, 1985/Elem Klimov)

Shoah (idem, 1985/Claude Lanzmann)

O Plano para Matar Hitler (The Plot to Kill Hitler, 1990/Lawrence Schiller)

O Aprendiz (Apt Pupil, 1998/Bryan Singer)

Billy Elliot (idem, 2000/Stephen Daldry)

As Horas (The Hours, 2002/Stephen Daldry)

Operação Valquíria (Operation Valkyrie, 2004/Dr. Jo Baier)

Ydessa, Les ours et etc (idem, 2004/Agnès Varda)

A Queda – As Últimas Horas de Hitler (Der Untergang, 2004/Oliver Hirschbiegel)

Operação Valquíria (Valkyrie, 2008/Bryan Singer)

O Leitor (The Reader, 2008/Stephen Daldry)

 

Livros Indicados:

Modernidade e Holocausto (Zygmunt Bauman, 1998 – Ed. Jorge Zahar)

Charlie Chaplin (André Bazin, 2000 – Ed. Jorge Zahar)

A Rampa – Cahiers Du Cinema 1970-1982 (Serge Daney, 2007 – Ed. CosacNaify)