por Nísio Teixeira

Especial: O Cinema do Quebec – parte I - En Pays Neufs; Hommage à Notre Paysannerie; L´Île D´Orléans; Les Bourgault; À la Croisée des Chemins

Bom, agora sim. A idéia é então apresentar um breve panorama do cinema quebequense seguindo, primeiro, uma linha cronológica (depois passamos a analisar alguns nomes e filmes). Para tanto, vamos recorrer à obra de um dos mais importantes críticos do Quebec, o professor Yves Lever. Dentre seus livros destaco L´Analyse Filmique (uma metodologia muito interessante para a construção de críticas de cinema), Cinema et Société Quebecoise e, principalmente, Chronologia du Cinéma au Québec (escrito em co-autoria com Pierre Pageau) Dictionnaire de la censure au Québec. Littérature et cinéma (em co-autoria com Pierre Hébert e Kenneth Landry) e Les 100 films québécois qu´il fait vu.

 

Tirei precisamente desse último a lista dos 100 filmes quebequenses que devemos assistir e inaugurei, sem me restringir a ela, meu curso privado de cinema quebequense recorrendo ao acervo da mediateca. Só um detalhe: o próprio Lever me lembrou que se trata de uma lista que praticamente não pega a produção recente, em função do lançamento do livro. Mesmo o excelente Le Confessional, de Robert La Page, acabou entrando como filme de número 101. De toda forma, para a primeira parte desta série especial, reuni as produções dos primeiros três diretores citados por Léver: Maurice Proulx, Albert Tessier (cinco documentários: dois do primeiro, três do segundo) e Jean-Marie Poitevin (uma ficção). Todos os três também são padres. Esse panorama pega os anos 1930 e o início dos anos 1940. Em outra oportunidade, falarei com mais detalhes sobre a fase do primeiro cinema no Quebec e no Canadá, além, é claro da criação do ONF/NFB (foi criado por John Grierson em 1939). 

Maurice Proulx

O que salta aos olhos nesses três diretores é, como visto em nosso breve histórico, a evidência do extremo catolicismo com que se regulava a sociedade franco-canadense do início do século XX. Na verdade, salvo talvez algumas regiões dos EUA e do próprio Canadá, sabemos que o poder eclesiástico regia o tempo e os costumes nas cidades provenientes da ocupação francesa ou ibérica. Se olharmos para o passado de nossos pais ou avós, certamente reconheceremos semelhanças nessa devoção ao cristianismo, combinado com o elogio ao trabalho rural. Deus é Pai e a terra é a Mãe Providência devota aos filhos que os seguem com fé e trabalho. A diferença, pelo menos pra mim, é precisamente como esse marcante traço cultural se manifesta forte e explicitamente na então incipiente cinematografia do Quebec.

 

No caso brasileiro, sei que o início da cinematografia nacional, por exemplo, é absolutamente laico: certamente é moralista, mas está claramente dissociado de uma intenção catequizadora – o que não se verifica, ao contrário, quando se assiste ao primeiro ciclo de produção do cinema quebequense. Em todos os três diretores, em todos os filmes vistos, há claramente uma intenção moralizante do binônimo fé e trabalho. O que não significa, obviamente, que não houve no Brasil incursões cinematográficas financiadas pela Igreja católica. O próprio caso da escola de Jornalismo da PUC-MG reforça isso: o curso surgiu a partir da primeira escola de ensino superior de cinema no Brasil, coordenada pelo professor Padre Massote e criada em 1963, mas tinha caráter absolutamente ecumênico – basta lembrar o caso do filme Vampiro Frustrado, produzido em Belo Horizonte naquela época. Também, é claro, estamos falando de outros tempos mesmo em termos eclesiais, pois é a época de João XXIII e de sua proposta, durante o Concílio Vaticano II, do aggiornamento, uma espécie de modernização da Igreja Católica.

 

En Pays Neuf

 

Comecemos pelo número 1 da lista de Léver. En Pays Neuf é um documentário produzido entre os anos de 1934 e 1937 por Proulox, então funcionário do Ministério da Agricultura canadense. Trata-se de um retrato do cotidiano do Quebec rural e sua transformação através dos tempos. Proulox acompanha, ao longo dos quatro anos, o “progresso” e a transformação de uma vila da região de Abitibi. Produzido em preto e branco, o filme traz músicas incidentais de peças clássicas ao mesmo tempo em que uma voice over, na clássica fórmula de propaganda, procura traduzir o estado físico (e também o de espírito) dos personagens ao público espectador. Assistindo ao filme, percebemos como Jean Rouch foi, além de tudo, irônico neste tipo de solução em filmes como o seu Eu, Um Negro.

 

Há ainda uma clara influência dos ensinamentos do Nanook de Flaherty (já analisado nesta coluna por ocasião de Santiago e cinema etnográfico), que afinal, se passa no Canadá: planos gerais que enquadram personagens que, na seqüência seguinte, ganharão planos médios e primeiros planos, em enquadramento direto para a câmera, a um só tempo curiosos e pouco à vontade diante dela. O bom selvagem é, gradativamente, domesticado, inclusive pelo olhar da câmera. Mas, por um problema qualquer, foi difícil detectar parte do áudio do filme, que seguiu mostrando a sede da escola de agricultura criada em 1859 para, em seguida, entrar em um trem que percorre os trilhos que cortam o Quebec, mostrando as localidades de Laudrienne, Amos e, agora, em um barco, percorre a região dos lagos até a cidade de Saint-Anne de Roquemarie, região onde há muitos missionários felizes, freiras enfermeiras e, em cujos arredores a floresta é destruída a machadadas, crianças trabalham em casa e vários coelhos são impiedosamente caçados e, colocados um ao lado do outro, exibidos como troféus. Sim, o que seria um circo dos horrores ao olhar ecológico atual, nada mais é do que, compreensivelmente, um dia após o outro para os pioneiros da época.

 

Todo o esforço do trabalho é louvado na missa de domingo, ocasião de encontro e do idílio social, em cujo espaço, aliás a câmera, respeitosamente, não entra. Mas registra a saída dos fiéis, após a qual o diretor aproveita para fazer uma tomada com todos os colonos, em pose coletiva para a câmera – com a igreja ao fundo.

 

O filme dá um salto de um ano no tempo e, nessa elipse, retorna à colônia, precisamente em um domingo, no momento final de saída dos fiéis após a missa. O over enfatiza o progresso a ser obtido com o início da estrada e a terraplanagem de áreas imensas, cujas árvores, cortadas e destruídas têm como golpe de misericórdia suas raízes arrancadas por uma série de correntes amarradas a um boi. Toda essa madeira é, em seguida, queimada: o terreno está pronto para receber novas casas de novos colonos. Mas já conta com outro importante item para a vida social da comunidade: um posto de correio, que permite a troca de cartas entre as moças que, após o plano geral, seguem o figurino e são enquadradas em plano médio, mostrando os belos vestidos usados para colocar a carta no correio (ou para aparecer na câmera, quem sabe...). Na seqüência, o encontro nas varandas para a conversa ou a leitura comentada de um jornal ou magazine.  Entre as tomadas finais dessa parte, um casal de cães e sua ninhada, descritos pelo narrador como “fiéis aliados e amigos dos colonos”.

 

Nova elipse. Novo domingo e o ano de 1936 já mostra uma vila com mil almas, casas com melhor acabamento, charretes percorrem a estrada incipiente, que permite mesmo alguns chevrolets com motorista e madame. Os triunfos do desenvolvimento e progresso ficam evidentes no voice over. Em 1937 segue-se, ao processo de novas queimadas, todas as etapas da serralheria: corte, limpeza, empilhamento das toras e até mesmo uma tomada com um menino que escorrega na serragem como se estivesse na neve. Há o flashback de um casal, cuja imagem do casamento é exibida em 1935 para, em seguida, os dois reaparecem segurando um bebê, mais novo colono. Mulheres aparecem junto às máquinas de tecelagem. Se os autóctones aparecem, ainda que rapidamente, no início do filme, os negros – lamentável praxe que o cinema brasileiro também conheceu muito bem – seguem invisíveis.

 

Caminhando para o final, duas seqüências memoráveis: na primeira, um menino sai para derrubar pequenos arbustos em frente à casa, no que conta com a fiel ajuda de um cachorro que, mordendo a ponta da curta e fina árvore, flexiona o tronco ao máximo para as machadadas do garoto. É o aprendiz do colono. Trabalho feito, o orgulho fica evidente na pose de vencedores ante a camêra. Na outra, mostram-se vários aspectos da vida social e dos serviços agora disponíveis na cidade de Atos, como bancos e cafés.  Outro filme surge na seqüência. Trata-se de um epílogo produzido a cores sobre Roquemarie, mostrando a vida em 1938 na cidade: novamente fé e trabalho. A missa, a produção de feno e a vsita de alguém importante do Vaticano à região.

 

Pioneiro como os personagens retratados, o filme, a despeito de seu caráter ideológico é um importante documento de época, sobretudo porque, após um longo de ciclo de imigração aos EUA em busca de trabalho ao longo do século XIX e início do XX, os quebequenses tornam-se desbravadores em sua própria terra. E, como veremos adiante, um filme de ficção produzido em 1957, Les Brules, vai fechar este nosso primeiro ciclo de análise fazendo referência exatamente aos dramas pessoais e coletivos vividos pelos colonos.

 

Hommage a Notre Paysannerie

 

O outro filme, mudo, produzido em 16 mm, alterna seqüências em cor e em preto-e-branco, divido em duas partes, é também, de certa forma,  uma homenagem ao pai do diretor Albert Tessier, um camponês de 78 anos. O pai, assim como vários outros de seus contemporâneos do filme, associam a longevidade à importância do trabalho – e as cartelas com os textos vão explicando isso à medida que alternam cenas desses camponeses com a foice no campo de trigo, novamente com os bois arancando raízes de árvores derrubadas para a terraplanagem do terreno, senhoras em meio a tecelagem.

 

As cartelas mostram e associam sempre a idéia da terra à idéia de uma provedora que tudo dispõe, bastando ter “músculos e vontade” (como sugere uma das cartelas) e vai da comida à vestimenta. Mostra o mutirão para construção de casas e também a produção de lenha no inverno. De novo, a forte presença do catolicismo é percebido através da reza antes das refeições, do terço à noitinha, da Santa Cruz no caminho da escola, na qual os alunos passam e beijam os pés e da Igreja como coração da comunidade rural, em especial aos domingos, quando, após a missa, reúnem-se nas ruas e nas varandas para fumar cachimbo e conversar.

 

L´Île D´Orléans, Reliquaire D´Histoire

 

Mudo, totalmente colorido, o filme fala da ilha de Órleans, situada nas proximidades da cidade de Quebec. É interessante perceber como Tessier usa simplesmente metade do filme para mostrar os grandes e suntuosos casarios construídos pelos colonos. Uma série de planos gerais em que as casas e praticamente só elas são enquadradas. As cartelas não escondem a intenção do filme, que é precisamente mostrar tais habitações como algo que evoca “uma época de trabalho e dignidade” das “longas mansões que mantêm a guarda” onde cabiam “de 15 a 20 pessoas”. Em uma delas, um casarão de 1739 restaurado pelo juiz local a partir do projeto arquitetônico de um padre, há uma série de flores-de-lis (símbolo da bandeira do Quebec) esculpidas na janela.

 

Les Bourgault

 

Mudo, preto-e-branco, o título se refere ao sobrenome de uma família de escultores de imagens sagradas, em especial, a de Nossa Senhora, esculpidas em madeira. O principal deles é Médard Bourgault, que, aos 42 anos é pai de 12 filhos – há um plano de todos eles ao pé da Santa Cruz. Em seguida mostra como tem a ajuda de um dos filhos em seu ofício, bem como do irmao Jean-Julian e da irma Yvonne. Médard esculpe as imagens após desenhá-las. O cineasta acompanha com bastante esmero o processo - “quanto mais a obra avança, maior deve ser a atenção” - mas o filme dá um salto muito grande em determinado momento, mostrando já uma etapa de  acabamento da peça.

 

Ou seja, mais uma vez a força do catolicismo encontra-se presente nos filmes. Mas acho que a grande força e mérito dos filmes de Tessier consiste precisamente em como ele registra e, principalmente, contempla o cotidiano. Ainda que o quadro final seja predominantemente uma imagem de crepúsculo com os raios de um sol oculto pelas nuvens, seguido por uma cartela de “O Senhor abençôa”, o esmero fotográfico da paisagem e da captação de gestos dos personagens impressiona – e muito.

 

À la Croisée des Chemins

 

Produzido pelos Missionários Estrangeiros no Quebec, com o uso de som direto do Le Cinema Catholique, só essa apresentação dispensaria maiores... apresentações. No entanto, Léver aponta um mérito nesse filme: trata-se do primeiro longa ficcional do Quebec. Eu colocaria outro: a estréia de Paul Guèvremont que, tirando essa primeira experiência, revelaria-se um bom ator, cuja trajetória se confunde com a dessa fase do cinema do Quebec.

 

O que nos volta ao ponto de partida: fé e trabalho novamente são o binômio que pontuam outra estréia da cinematografia quebequense. De novo, estamos diante de uma (não tão) inteligente peça de catequese travestida em cinema. Mas por isso mesmo o filme fecha com chave de ouro esta seção: o uso da maquiagem, da montagem e da linguagem cinematográfica a serviço mais de um preconceito do que do espírito.

 

Jean (Guèvremont) é um estudante de filosofia do último ano que sai de férias e reencontra o amável seio da família e dos amigos. Na verdade, ele corteja Pauline, a irmã de um de seus colegas, seu vizinho. E, nestes adoráveis encontros à beira do lago, observados pelos pais, Jean e Pauline iniciam uma paquera, em meio a passeios de barco, pic-nic, jogos de cartas e tênis com os amigos.

 

Fim das férias, Jean retorna ao seminário para os estudos e os exames finais, ou, em letras garrafais, devoir et bacalleureat. Jean reza pedindo para Deus iluminar seus estudos.

 

Tudo é pontuado por um voice over que também trata de traduzir ao público o espírito dos personagens. Mas eis que o seminário recebe a visita de um antigo aluno, que se tornou missionário na Mandchúria, atual China. A voice over muda, e percebemos, que, na verdade, ela procura dublar o que está dizendo o missionário aos alunos. Ele fala da importância da missão e começa a passar um filme dentro do filme, dividido em várias partes. As principais são “Le Orient Mistique” e “Le Orient Catholique”. Ao longo de ambas, alternam-se imagens reais de uma missão na China com a do ator que interpreta o seminarista visitando casas e jardins chineses claramente construídos em estúdios, com personagens maquiados como chineses atendendo às preces do sábio missionário. Tudo fica tao pateticamente forçado que, na hora em que entram crianças “chinesas” em cena, a solução é desfocar o quadro. Importante é frisar que o oriente místico é aquele das lendas e tradições chineses, que deve ser trocado pelo oriente católico, no qual um missionário vai até uma paróquia chinesa e abençoa os novos convertidos, que recebem terços e medalhinhas. Entre as seqüências de cada seção, surgem flashes dos estudantes assistindo ao filme, reagindo de maneira distinta, a maioria com graça. Mas Jean segue pensativo a cada tomada do filme que vê.

 

Acaba o filme do missionário, começa outro, mostrando as qualidades e as benesses da escola preparatória dos seminaristas, que se divertem brincando de pegar a maçã com a boca, na corrida do saco, esquiando na neve até, novamente, o filme da viagem a China, onde ajuda a construir uma igreja (numa tosca montagem, exibem a construção de uma capela na China e, no plano seguinte, mostram o ator-seminarista em contra-plongée segurando uma cruz em estúdio para, rapidamente, no outro plano, mostrarem a real cruz da igreja chinesa). Mostra o trabalho do seminarista, que vai até cantos remotos para pregar a palavra. Ainda que uma ponte caia em um rio onde a água mal chega até os joelhos, haverá sempre um nativo chinês que carregará o seminarista nos ombros impedindo que o douto abençoado molhe os pés durante a travessia. O filme dentro do filme chega ao fim, não sem antes convocar os espectadores a essa cruzada pela fé, alternando pinturas clássicas de Cristo e seus discípulos.

 

Volta a cena para a platéia. Vemos um Jean apreensivo. Ele se recolhe, reza, procura guia espiritual. Volta pra casa e em seqüência dublada, voz de atores distintos interpretam as falas dos personagens: Jean desabafa e diz que, entre a carreira e o possível romance com Pauline, resolve renunciar a tudo e abraçar a causa missionária na China. Melodrama feito, há as repreensões do pai, de Pauline, do amigo, mas no final, uma condescendência ante a causa maior. Em seguida vemos Jean passar pelo processo do seminário até encontrar o seminarista que havia apresentado o filme, em novamente um falso jardim chinês, com a imagem de uma espécie de Buda no centro, no meio do quadro, que traz os dois personagens um em frente ao outro. Em seguida eles olham para o Buda que, em fusão, se transforma em uma imagem de Nossa Senhora. Os dois voltam a se olhar sorrindo e a imagem de ambos se funde na expressão do rosto de um Cristo crucificado. Termina o filme.

 

Fazia tempo que eu não via um filme tão ruim, em todos os sentidos. De qualquer maneira, também serve, em franca oposição qualitativa aos filmes de Proulx e Tessier de um documento de época, que evidencia o peso eclesiástico na cultura quebequense.

 

Como nota final, cabe deixar claro aqui, que se filmes como  À la Croisée des Chamins representam com força a chamada Grande Escuridão deste passado histórico quebequense, os demais jogam uma luz sobre o período e pedem talvez um pouco mais de cautela nesse rótulo. Talvez para não cairmos na perigosa tentação de certo maniqueísmo histórico que durante muito tempo tratou a Idade Média como Idade das Trevas e o Renascimento como a vitória absoluta ou marco zero da civilização moderna. Não é bem assim. Da mesma forma que não podemos reduzir dez séculos de história medieval (na qual várias conquistas da modernidade foram, de fato, criadas) a um adjetivo, creio que não podemos fazer o mesmo no caso do Quebec (até porque, como dito, a religião católica foi um elemento de resistência e de construção social, antes de se tornar força conservadora da região).

 

Pelo contrário, o que se vê, exatamente em alguns apelos de Proulx e em alguns belíssimos planos de Tessier, é o domíno da luz, ainda que sob algum tipo de apologia religiosa. Mas esse caráter não tira a beleza de algumas de suas produções artísticas – e poderia recorrer a Bach, Bosch ou Aleijadinho para me ajudar nesse argumento, mas fico com o historiador Jacques Le Goff,  que lembrava que, para o homem medieval, a natureza celebrava, em sua beleza, a maravilha do pacto divino com os  homens. Após o período do Renascimento e, ao primeiro sinal de sua destruição, no início da indústria e dos primeiros sinais de falência de alguns aglomerados urbanos, o Arcadismo surge como filho mais ilustre.

 

É nessa espécie de Arcadismo (e mesmo Parnasianismo) cinematográfico, a meu ver, que as obras de Proulx e Tessier merecem ser vistas. Afinal, não por acaso a vida contemporânea atual volta e meia nos coloca de frente a esses valores ancestrais de terra e trabalho. E não por acaso percebo que essa vontade de um retorno, ainda que laico, ao confortável seio desse passado tem sido uma constante, por exemplo, nas recentes produções do talvez mais conhecido cineasta do Quebec, Denys Arcand. Mas, como sempre digo, esta será uma outra história.

 

 

Filmes Citados

 

Nanook of the North (idem, 1922/dirigido por Robert Flaherty)

En Pays Neufs (idem, 1934-1937/dirigido por Maurice Proulx)

En Pays Neufs – Saint Anne de Roquemarie (idem, 1942/ Maurice Proulx)

Hommage à Notre Paysannerie, p.1 et 2 (idem, 1938/dirigido por Albert Tessier)

L´Île D´Orléans, Reliquaire D´Histoire (idem, 1939/ Albert Tessier)

Les Bourgault (idem, 1940/ Albert Tessier)

À la Croisée des Chemins (idem, 1943/dirigido por Jean-Marie Poitevin)

Eu, um negro (idem, 1958/dirigido por Jean Rouch)

 

Sites afins

 

Prof. Yves Lever http://www.cam.org/~lever/Lever.html