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por João Toledo
Bonequinha de Seda, de Oduvaldo Viana
por João Toledo
Bonequinha de Seda, filme que abre o CineOP deste ano em mais uma investida no resgate memorial do cinema brasileiro – e desta vez com recuo histórico bastante significativo, retomando o contexto da década de 1930 –, é responsável por um dos grandes sucessos de público entre produções brasileiras. Filme megalomaníaco da Cinédia, responsável por inaugurar o uso de parafernália técnica até então reservada às grandes produções estrangeiras, o primeiro longa de Oduvaldo Vianna se divide entre um certo controle da encenação, e um desvario criativo que se equilibra entre o tosco e o sofisticado; acertos que não se pode afirmar que sejam involuntários, mas que dentro de uma evolução narrativa muito formal se constituem como riscos formais muito ricos. Anomalias que, entre erro e acerto, despertam muito o interesse.
Apesar de uma vontade descompensada por se igualar tecnicamente ao cinema de qualidade norte- americano, e por um interesse um tanto grotesco por exibir, orgulhoso, sua riqueza ostentosa em cada grande cenário ou número musical, o filme encontra um certo equilíbrio numa vontade de traduzir para o âmbito cinematográfico um humor peculiarmente brasileiro. Vindo do teatro, o diretor e roteirista Oduvaldo Vianna soube trazer ao filme um texto que explora certas nuances da sociedade brasileiro, apesar de no geral se render a uma postura cinematográfica um tanto colonizada, o que em geral não torna o filme ruim, mas comicamente contraditório.
Se por um lado há uma riqueza cômica bem estruturada em uma mise-en-scène ágil de pequenas gags que se acumulam ao longo do filme, há por outro uma falta de ritmo e de controle enormes em seus números musicais extensos e enfadonhos. Talvez, no contexto histórico do filme, estes números valorizassem a riqueza da produção e agregassem algum tipo de valor – até artístico mesmo – à obra, através das coreografias e músicas, mas certamente falta ao filme a figura de um montador que limite os excessos em nome do envolvimento narrativo. No final, o clima de ingenuidade que rege todo o enredo parece preponderar, e se harmonizar com as matrizes narrativas do filme, mas existe sempre um subtexto malicioso que torna essa pretensa leveza ligeiramente mais dúbia. Se não é uma obra seminal, ao menos se revela curiosa e indispensável para a compreensão maior de toda a trajetória tortuosa e muito maltratada do cinema brasileiro.
*Visto no 5º CineOP
Filmes Citados:
Bonequinha de Seda (Idem, 1936/Oduvaldo Vianna)







