por João Toledo

Minami em Close-up – a boca em revista, de Thiago Mendonça

por João Toledo

O curta metragem de Thiago Mendonça resgata a figura insólita de Minami, quadrinista e criador da revista Cluse-up que, ao longo das décadas de setenta e oitenta, foi responsável por um certo retrato do cinema da boca do lixo, prolífico espaço de produção cinematográfica responsável pelo surgimento de um legítimo gênero brasileiro, a pornochanchada. Mas ao invés de um documentário em busca apenas de seu  conteúdo, de resgatar um momento histórico através dessas figuras do passado, temos um documentário a procura de uma forma.

Thiago parece tentar criar um aspecto gráfico quase como se filmasse uma revista em movimento; esse quê de quadrinesco traz ao filme um aspecto um tanto curioso, às vezes francamente irônico, resgatando a apropriação desvairada dos gêneros americanos, às vezes apologético do cinema ali criado, iconizando certas figuras cuja paixão por aquele período esquecido parecem um tanto acríticas. Mas, no fundo, a imagem nostálgica e grandiosa que esses cineastas da boca pintam do passado – algo nunca desconstruído pelo filme – não chega a ser prejudicial, pois o próprio efeito do tempo no semblante daqueles personagens, a decadência da memória do cinema nacional, o ruir silencioso do bairro aviltado de São Paulo, acabam por dar à imagem o aspecto fantasmagórico que nos deixa meio incertos diante das exposições exaltadas de alguns dos entrevistados.

Grandioso e apodrecido, o universo visto através das páginas da Close-up de Minami é algo que precisa emergir de seu fosso de esquecimento, ainda que traga consigo todas as belas e sujas contradições de um lugar que conseguia unir o marginal e a grande arte nas imagens que fazia de seu tempo, nesse rosto de um momento, face de um Brasil que o Brasil do bom gosto parece querer esquecer.

*Visto na 4ª CineOP.

Filmes Citados:
Minami em Close-up – a boca em revista (Idem, 2008/Thiago Mendonça)