por João Toledo

Ismar

                                                                                                                                     por João Toledo

Ismar
não é só um filme, mas um nome do passado, desses que se perdem por entre criações de celebridade instantânea, cujas identidades se tornam aquilo que está ali, preso ao vídeo e inevitavelmente marcado por uma verdade circunscrita. O vídeo-documentário é um passeio por momentos de um passado de alegrias visivelmente amargas do então garoto Ismar. O menino-gênio, que tudo sabe sobre os filmes e cujo sonho era visitar Hollywood, é explorado e manipulado pela mídia que se serve dele, enquanto aberração mirim.

Em paralelo, assistimos a algo que parece um set de filmagens, um ambiente em ruínas onde um rapaz se encontra sob a luz. Ajustes são feitos aqui e ali, e esse mesmo rapaz troca os canais de um televisão sem sinal. Mais tarde, assistimos a um show; dessa vez, vendo de perto, percebemos que o vocalista da banda é Ismar. Não o mesmo garoto de antes, mas um rapaz crescido e mudado, que faz questão de verbalizar que já não tem mais nada a ver com aquele universo – recluso, o jovem parece buscar se encontrar na negação do que foi e nas possibilidades que se apresentam. O filme, no entanto, traça um perfil muito breve. Não há a pretensão de compreender o garoto do passado, tampouco de compreender as repercussões desse mesmo passado no garoto de hoje. A idéia é antes mostrar ambos e gerar uma reflexão sobre as implicações da imagem midiática na vida de uma pessoa, uma forma de abrir discussões e refletir sobre algo a partir de dados partidos, que são, na verdade, tudo ao que podemos ter acesso.

Filme Citado:
Ismar (idem, 2007/Gustavo Beck)

Obs: publicado em Janeiro/2008 na 11a Mostra de Cinema de Tiradentes