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por Marcelo Miranda
Cinema de Garagem – Programa 1
A Arquitetura do Corpo, de Marcos Pimentel
por Marcelo Miranda
Realizado por um diretor de Juiz de Fora (zona da mata mineira) com estudos em Cuba e na Alemanha, o filme reflete à risca a forma de trabalhar do próprio Pimentel: discrição, observação, pouca intervenção, curiosidade. Tudo isso está na tela e é bastante a cara deste diretor pouco comentado nos circuitos de festivais brasileiros – esse lado algo “anônimo” deve-se muito ao jeito ultra-mineiro de Pimentel agir dentro da arte em que se expressa. Por sorte (e privilégio), já pude tomar contato com quase toda a obra de curta-metragem de Pimentel, filmes sempre delicados e certeiros como O Maior Espetáculo da Terra, Ruminantes, Nada com Ninguém e Biografia do Tempo. Em todos, há a câmera no ângulo inusitado para captar o não-inusitado. O mesmo acontece aqui, num projeto pequeno em que o cineasta busca acompanhar os movimentos dos corpos de dançarinas de balé cujo sonho, estampado em seus rostos, é o de brilhar no palco. Pimentel se recusa a mostrar o palco e prefere ficar na coxia, no tablado de ensaio, registrando pés, braços, feridas, a busca pela concretização de vontades. Também discretamente, ele inicia uma narrativa dentro do documentário, ao seguir um grupo de garotas prestes a se apresentar. O filme ganha em tensão sem uma única palavra. Periga cair na explicitação dos sentimentos até então exibidos somente pelos movimentos, mas, bem ao estilo de Pimentel, segue firme numa objetividade que, por mais distanciada possa aparentar, tenha chances de ser a única possível de se fazer justiça aos personagens documentados.
*Visto no Festival de Brasília 2009.
Filme Citado:
A Arquitetura do Corpo (idem, 2008/Marcos Pimentel)







