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por Marcelo Miranda
Reportagem: Era uma vez no Japão
por Marcelo Miranda
Supostamente o Ocidente descobriu o cinema japonês em 1950, quando Rashomon, de Akira Kurosawa, venceu o prêmio principal do Festival de Veneza, na Itália. Só supostamente, porque, muitos anos antes, o Brasil já era uma pequena potência de exibição no que se referia às produções nipônicas. A imigração japonesa rumo a São Paulo, iniciada em 1908, trouxe na bagagem o caldo audiovisual que, aos poucos, já inundava a cultura do país oriental.
Um pouco desse caldo – ou, tão importante quanto, o resgate daquela cultura – está tomando as três salas do Usiminas Belas Artes. “Muitos dos filmes japoneses foram vistos no Brasil quase que simultaneamente com o Japão, numa relação temporal imediata”, afirma o pesquisador e professor João Luiz Vieira, que veio do Rio de Janeiro para realizar uma aula magna na mostra mineira. “Fomos espectadores privilegiados desse cinema especialíssimo até o início dos anos 80. Desde os anos 30, São Paulo possuía diversos cinemas especializados na exibição de filmes japoneses, muitas vezes sem legendas em português.”
O festival, promovido pela Embracine e patrocinado pela Usiminas com colaboração do Festival do Rio, tem como ambição justamente revalorizar a relação Brasil-Japão e colocar em voga o que se fez e ainda se faz por lá. “Buscamos um tipo de filmografia que marcasse, de forma clara, o atual estado do cinema japonês de hoje e o porquê dele ser um influenciador tão grande em termos universais”, diz Pedro Olivotto, proprietário da Embracine e coordenador geral da mostra.
Olivotto e uma equipe formada pelos críticos Carlos Quintão e Pablo Villaça e pelo pesquisador Adilson Marcelino foram responsáveis por organizar a seleção e programação dos filmes. “O que o Japão faz cinematograficamente é fundamental na alfabetização do olhar e da sensibilidade", atesta Olivotto. Para João Luiz Vieira, o cinema japonês se caracteriza por ser sempre no plural, com variações temáticas e estéticas das mais profundas. “Tem para todos os gostos. Das produções mais comerciais e pop até os filmes de terror trash, passando por comédias, filmes de samurais, yakuza, dramas urbanos, experimentais e o filme de prestígio interno e internacional, esse sendo o responsável por manter um padrão de expectativa e qualidade nos festivais internacionais.” Olivotto complementa: “Mesmo o cinema mais comercial no Japão tem um marco autoral que é puramente pessoal de cada realizador. É sempre artístico, atemporal e individual”.
O espectador belo-horizontino vai poder tirar a prova ao tomar contato com filmes de nomes fundamentais do cinema japonês – e, indo além, da arte universal –, como Akira Kurosawa, Yasujiro Ozu e Kenji Mizoguchi. Também, claro, terá rara oportunidade de conhecer o que de mais significativo tem sido lançado por diretores contemporâneos bastante relevantes e tão distintos entre si, casos de Masahiro Kobayashi, Takeshi Kitano, Takashi Miike e Kiyoshi Kurosawa.
Confira a programação completa da mostra aqui.







