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por Mariana Souto
Titãs – a vida até parece uma festa
por Mariana Souto
Ainda que o longa de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves seja centrado na história da banda – de forma até um pouco egocêntrica -, Titãs – A vida até parece uma festa funciona também como documentário de uma época, de um contexto musical e cultural de um país, já que o conjunto atravessou décadas, participou de diversos eventos e programas de TV importantes, já parte do imaginário coletivo brasileiro.
Como banda antiga que é, conhecemos os Titãs antes mesmo de terem esse nome e os vemos atravessar anos, viagens, experiências. Ainda que pouco falem disso, assistimos também a uma espécie de amadurecimento, amansamento de espírito que veio com a idade e que se refletiu na obra. Titãs – A vida até parece uma festa é quase inteiramente um filme musical, com a adição de imagens de arquivo e de acervo pessoal. Por estarem próximas à banda (ou até mesmo dentro dela), Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves tomaram decisões coerentes com seu objeto, qual seja, o de pessoas que se expressam melhor através da linguagem musical, ao passo que se comunicam e estabelecem vínculos através das palhaçadas. Para eles, a vida até parece uma festa.
Várias decisões de montagem parecem ter sido feitas com conhecimento de causa e planejamento. Ao mostrar a música “Polícia”, as imagens se voltam para a multidão de um público de um grande show, incluindo mosh. Para “Cegos do Castelo”, um ensaio intimista em casa. Para a animada “Sonífera Ilha”, programas de auditório e coreografias. Os diretores demonstram ter bom timing ao saber que performances cortar e quais deixar integralmente. Entretanto, o filme segue de maneira tão vibrante e enérgica que os raros momentos de pouca ação ou planos um pouco mais extensos parecem quebrar o ritmo.
Algumas estratégias de montagem arrancam risadas do público, principalmente colocando lado a lado imagens e sons de uma mesma música sendo tocada nos anos 1980 e nos anos 2000, sugerindo uma espécie de evolução. Além disso, a aparência dos músicos e seus cortes de cabelo são motivos de riso por si só.
Titãs – A vida até parece uma festa é construído de forma apoteótica, enaltecedora, ainda que não negue tristezas e pequenos podres. O uso de “substâncias químicas” não é negado e há até indicação de comportamentos excessivamente arruaceiros e destrutivos. Contudo, com som potente, empolgação pela vida e grande “presença de palco”, Titãs é um filme de alegria e celebração contagiante mesmo para quem não seja especialmente fã da banda.
* Visto na 12ª Mostra de Cinema de Tiradentes.
Filme Citado:
Titãs – A Vida até parece uma festa (idem, 2009/ Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves)







